Roteiro Romântico

O Romantismo e as personalidades românticas em Sintra

Sintra é um espaço privilegiado no contexto do romantismo português. 

A Pena, a Monserrate, a Regaleira e a Vila Velha imortalizam todo um conjunto de cenários marcantes da época e convida-nos a efetuar diversos percursos, onde podemos fazer uma abordagem histórica, filosófica, artística, literária e social do movimento romântico.

Assim, e nesse cenário natural tão peculiar de Sintra, que D. Fernando II coroou, poderemos, não apenas, descobrir os palácios e o casario oitocentista, como calcorrear os passos dados por Byron, Beckford, Herculano ou Garrett.

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QUINTA DO RAMALHÃO
GPS: 38°47’12.3”N 9°22’21.1”W

Poiso privilegiado de coroadas cabeças oitocentistas e de abastados fidalgos ingleses, como William Beckford (1760-1844), que por aqui passou em 1787, é hoje um Colégio Particular.

Hans Christian Andersen também por aqui passeou em 1866.
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CASA DO ADRO E IGREJA DE SANTA MARIA
GPS: 38°47’36.7”N 9°23’06.0”W  -  38°47’37.6”N 9°23’05.6”W

Junto à veneranda igreja gótica de Santa Maria de Sintra, na residência de José O’Neill ou Casa do Adro, instalou-se o celebrado contista dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875) na sua visita a Sintra no Verão de 1866.

Daqui podia ele avistar a estrada para a Vila, onde o velho Palácio lhe pareceu um "convento com pequenos anexos"; chegou mesmo a comparar as chaminés da cozinha a "duas garrafas de champanhe acopuladas"…
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ANTIGO HOTEL VICTOR
GPS: 38°47’45.8”N 9°23’26.1”W

Este edifício oitocentista, com as paredes decoradas pelo artista italiano Luigi Manini (1848-1936), onde são apresentadas belas paisagens românticas portuguesas e italianas.

Pelos seus salões e casino desfilou a fina-flor da aristocracia portuguesa e europeia do romantismo e realismo oitocentistas.

No século XIX, pertenceu ao empresário hoteleiro, também ele italiano, Victor Sassetti (1851-1915).

Inspiração para escritores como Camilo Castelo Branco (1825-1890) que a ele aludiu na sua obra "A Queda de Um Anjo". Eça de Queiroz também o referiu inúmeras vezes na sua escrita… "O charme romântico que o caracteriza perdura nos olhares que daqui se alongam, a perder de vista…"
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PARQUE E PALÁCIO DA PENA E CRUZ ALTA
Entrada do Palácio  GPS: 38°47’13.95”N 9°23’25.0”W
Cruz Alta  GPS: 38°46’55.4”N 9°23’29.0”W
Bilheteira  GPS: 38°47'16.5"N 9°23'15.5"W

A Pena é o verdadeiro "Castelo do Graal", segundo afirmação do compositor Richard Strauss (1864-1949), de Munique, em visita a Sintra em 1909.

O paradigma do próprio conceito de Romantismo, em Portugal e na Europa, fruto da concretização do sonho de um príncipe alemão feito rei português por opção matrimonial. 

O Parque e o Palácio da Pena constituem um verdadeiro cenário idílico de "ópera wagneriana", imaginados pelo rei D. Fernando II (1816-1885), porventura a mais romântica de todas as ilustres personalidades românticas que Sintra conheceu na centúria de oitocentos.

A Cruz Alta, no cimo do seu "Jardim de Klingsor", assinala o topo da Serra de Sintra, qual "Monte Salvat" de onde espreita o "Castelo do Graal" da Lenda de Parsival… Temos, aqui em Sintra, um autêntico "Romance de Cavalaria" para viver, digno de uma perfeita aventura medieval, repleta de peripécias cavaleirescas, na qual nem sequer faltam as brumas ou os densos nevoeiros... 
 

 

5
CHALET DA CONDESSA DE EDLA

GPS: 38°47’06.3”N 9°23’56.9”W

No interior do romântico Parque da Pena, este singelo "ninho de amores" do viúvo rei D. Fernando II e da sua 2ª esposa, a Condessa de Edla, Elise Hensler (1836-1929), cantora de ópera suíça, é um verdadeiro exemplo do requintado gosto da arquitetura de chalets oitocentista. 

Rodeado por um simples mas bem cuidado jardim "à inglesa", como era apanágio da época "romântica", o ambiente é acolhedor, a lembrar pequenas tertúlias de amigos e harmoniosos saraus musicais, envoltos na paisagem encantadora…

6
HOTEL LAWRENCE’S

GPS: 38°47’44.5”N 9°23’34.5”W

Inaugurada em 1764, a "Estalagem da Lawrence" (do nome da velha e emblemática proprietária Jane Lawrence), uma unidade hoteleira que fala por si só, já que é a mais antiga da Península Ibérica, e uma das mais antigas no Mundo ainda em atividade.

Acolheu requintados hóspedes, sobretudo ingleses que a demandavam em tal número que os Sintrenses, sempre bem-humorados, a designavam por "o hotel dos ingleses" O seu hóspede mais ilustre foi Lord Byron (1788-1824), que se inspirou nas belas paisagens e monumentos de Sintra para deixar poeticamente grafado que "Sintra é um Glorioso Paraíso!", e assim atrair a estas paragens inúmeros conterrâneos seus, após a sua estadia em 1809. 

Mas pela Lawrence’s desfilaram insignes personalidades das artes, das letras e da política, portuguesas e estrangeiras, ao longo dos séculos, até hoje: Lady Catherine Jackson (1824-1891), autora da obra "Fair Lusitânia", livro este traduzido e prefaciado por Camilo Castelo Branco em 1874, que, para isso, aqui terá pernoitado na Lawrence algum tempo. Bem como Almeida Garrett (1799-1854) e Alexandre Herculano (1810-1877), românticos portugueses, nas suas visitas a Sintra, entre outros, igualmente famosos e brilhantes.

7
QUINTA DA REGALEIRA

GPS: 38°47’46.5”N 9°23’44.8”W

A Quinta da Regaleira é um local onde é possível desfrutar-se de uma paisagem que constitui um verdadeiro "regalo", no contexto romântico de um jardim "à inglesa".

No seu interior, não faltam as estruturas arquitetónicas, esta quinta surge-nos como a materialização onírica de um projeto esotérico e nacionalista de António Augusto Carvalho Monteiro, o multimilionário que imaginou aqui em Sintra o nascer de uma nova era de missão templária ou milenarista. Num contexto mais humanista e de homenagem revivalista ao triunfo dos Descobrimentos Portugueses. 

A alquimia do devir português e o sentimento de magia presentes na Serra de Sintra não passam aqui despercebidos, voluptuosamente pairando no ar.

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SETEAIS E PENEDO DA SAUDADE

GPS: 38°47’44.5”N 9°23’34.5”W

Local de poéticos amores desde tempos imemoriais, o Penedo da Saudade em Seteais surge-nos como um local incontornável no historial das lendas duma Sintra emotiva e quase cavaleiresca que o romantismo reinventou no século XIX. 

Seteais é ainda hoje um local de sublimes paisagens, de largos horizontes e de recortes nítidos e desenhados, de belos coloridos e enquadramentos.

Exemplarmente descrito por Beckford no seu "Diário", quando o holandês Daniel Gildmeester o imaginou e aí construiu o seu magnífico Palácio, tendo-o, em seguida, inaugurado, em 1787, com grande pompa e circunstância, as suas vistas para a Pena, enquadrada pelo belíssimo arco triunfal, ao centro, são notáveis e únicas, não devendo nunca ser esquecidas, mesmo que num breve vislumbre…

9
PARQUE E PALÁCIO DE MONSERRATE
GPS: 38°47’44.5”N 9°23’34.5”W

Esta propriedade Romântica sintrense, que evoca paragens distantes e exóticas de outros tempos.

A Monserrate é digna das "mil e uma noites"… Das falsas ruínas aos feéricos burburinhos das suas cascatas, quem a visita não se surpreenderia se aqui deparasse com seres mágicos e fantásticos, apenas passíveis de existirem no maravilhoso mundo dos contos infantis… 

Devaneio onírico de William Beckford, quando por aqui estanciou na década de 1790, que veio a ser complementado por Francis Cook, e os seus paisagistas. 
O Jardim da Monserrate surge-nos como um dos mais belos jardins botânicos "à inglesa" na Europa, convidando ao deslumbramento. 

Terá sido também visitado com deleite, entre outros, por Lord Byron em 1809 e por Hans Christian Andersen em 1866, que terá achado a Monserrate "uma verdadeira vinheta das «Mil e Uma Noites», uma visão de conto de fadas". 

Beckford, refere-se-lhe, no seu "Diário", e à vista que se alcança da Serra de Sintra sobre o horizonte que a envolve: "É ilimitada a perspetiva que se desfruta deste monte em forma de pirâmide: os olhos, baixando, dilatam-se pela imensa extensão das águas do vasto infinito Atlântico. 

Uma longa série de nuvens soltas, duma alvura deslumbrante, suspensas a pouca altura do mar, produziam um efeito mágico, e nos tempos do paganismo tomá-las-iam, sem grande esforço de fantasia, pelos carros das divindades marinhas, que acabavam de surgir do seio do seu elemento."