Roteiro Medieval

Mergulhado em fascinantes cenários históricos e lendários, torna-se possível fazer uma abordagem conciliadora da História, e das características urbanas e naturais da Sintra Medieva, com a própria realidade nacional e sua consequente expressão universal.

Numa atmosfera de histórias e lendas, é feito um percurso abrangente das três zonas medievais sintrenses (Castelo, Arrabalde e Vila), com especial relevo para o Palácio Nacional de Sintra, malha urbana, Castelo dos Mouros e Igrejas Coevas, não esquecendo, todo um conjunto de particularidades da realidade Cultural Saloia.

Cada pedra que pisamos ao percorrer as calçadas e ruas da velha urbe conta-nos uma história, uma lenda, uma curiosidade que aquele beco, aquela fonte aquele jardim, encerra entre si. Essas histórias remetem-nos, frequentemente, não apenas para a realidade sintrense, mas, também, para a universalidade da cultura portuguesa.

1
SINTRA MEDIEVAL

A Bruma do Tempo esconde muitas histórias que a velha Suntria (sun, radical indo-europeu traduzível para astro luminoso), depois Xentara árabe tem para contar.

História que cativou os românticos, apaixonados pelos ideais medievais, procurando recuperá-los após uma Sintra destruída pelo terramoto de 1755.

Por isso, os vestígios desses tempos não são muitos, e é preciso descortinar na atualidade a génese medieva de Sintra.

2
PALÁCIO NACIONAL DE SINTRA

GPS: 38°47’51.1”N 9°23’26.2”W

O maior e mais significativo Palácio Medieval e Renascentista português, nasceu no Chão de Oliva, sobre uma antiga Alcáçova árabe, que D. Dinis e D. Fernando I, sempre procuraram manter em bom estado.

É com D. João I que nasce a primeira fase de construção do monumento, tal como o conhecemos, a que se seguiu uma segunda da responsabilidade de D. Manuel I.

Sob as colossais chaminés, encontramos um memorial de História de Portugal para contar, a génese e o fim do nosso período áureo dos Descobrimentos e do Império.

Tudo num conjunto em que os espaços abertos e fechados se intercalam numa harmonia arabizante, onde nos fascinamos com a maior coleção de azulejos mudéjares sevilhanos do mundo, as belezas das salas dos cisnes, árabe ou a dos brasões (entre todas as outras), a Capela anunciando o culto do Divino Espirito Santo introduzido pela Rainha Santa, ou a cozinha encimada pelas famosas chaminés cuja conceção inglesa devemos a D. Filipa de Lencastre.

3
JUDIARIA

GPS: 38°47’47.8”N 9°23’25.1”W

Para lá do Arco do Teixeira, encontramos o Beco da Judiaria, cuja sinagoga se encontraria no terceiro prédio após os portais da Judiaria.

Fala-se dos ditos portais que se fechavam pelas ave-marias ou Vésperas impedindo os judeus de saírem, das queixas dos sintrenses a Afonso V, único rei nado e morto no Paço Real, contra uma possível extensão do comércio judeu para lá do beco, o qual foi definitivamente enquadrado no resto do povoado no reinado de D. Manuel.

Na "Lojinha", ainda podemos ver um arco gótico original.

4
CASAS DOS TEMPLÁRIOS

GPS: 38°47’49.0”N 9°23’27.4”W

Onde hoje vemos o café Paris e o Central, estavam casas que outrora, eram um dos muitos bens que esta ordem religiosa e militar possuía em terras sintrenses.

Numa sala subterrânea, pode ter existido, segundo um polémico místico, um hipogeu, onde os membros da ordem se reuniam secretamente.

Um respiradouro ainda é visível na sombria rua escondida por detrás dos referidos estabelecimentos.

Refira-se que à Ordem pertencia também a Mata de Almosquer, onde hoje se insere a Quinta da Regaleira, e toda a zona das Murtas.

5
HOSPITAL E IGREJA DE NOSSA SENHORA DA MISERICÓRDIA

GPS: 38°47’49.3”N 9°23’24.3”W

Não se sabe ao certo qual a verdadeira data da fundação da primeira instituição de beneficência de Sintra. Autores arvoraram uma cronologia anterior ao século XIV, mas advoga-se a possibilidade de uma cronologia mais recuada.

Todavia, nenhuma dúvida existe quanto a instituição do Hospital de Santo Espírito – que é anterior a fundação da Misericórdia – o qual remonta quase de certeza ao reinado de D. Fernando, bem como a construção do primeiro templo.

A igreja de invocação Mariana, está na atualidade reduzida apenas à sua capela-mor e aos altares laterais, já que, a nave e as restantes dependências foram «barbaramente» demolidas com a implantação da República, a fim, de se alargar a via pública.

6
IGREJA DE SÃO MARTINHO

GPS: 38°47’47.5”N 9°23’29.9”W

A igreja paroquial situada na Vila de Sintra, foi fundada no século XIII mais precisamente, a partir de 1283, ano em que lhe são ordenados e concedidos estatutos, os quais, no entanto, somente em 1306 obtiveram aprovação.

Da primitiva construção, devastada pelo terramoto, restam apenas os panos cegos da abside contrafortada, mesmo esses já refeitos pelas obras de pedraria da reconstrução de 1773, e a belíssima lápide gótica de Margarida Fernandes (1334) que adorna no exterior o flanco direito do templo.

7
CELEIRO DA JUGADA

GPS: 38°47’46.3”N 9°23’33.9”W

Descendo a Rua Gil Vicente, passamos pelo Restaurante Tulhas, onde encontramos dois silos medievais, e no casario adiante aí foram feitas escavações arqueológicas e encontradas importantes peças de cerâmica coeva, guardadas no Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas.

No Largo Latino Coelho vemos parcos vestígios do antigo Celeiro da Jugada, tributo pago à coroa em cereais. Foi ali que foi vendida ao desbarato arte sacra retirada das igrejas após a extinção das ordens religiosas, no reinado de D. Pedro IV.

12
ESCADINHAS FÉLIX NUNES E FONTE DA PIPA

GPS: 38°47’47.4”N9°23’27.7”W

Subindo as referidas escadinhas deparamo-nos no lado direito, embutido no muro dos jardins do Palácio dos Ribafria, com um arco gótico. Mais adiante, a Fonte da Pipa reedificada no século XVIII por ordem expressa de D. Maria I, cuja existência primitiva remonta pelo menos ao século XIII servindo a população local.

9
CENTRO HISTÓRICO DE SINTRA

GPS: 38°47’48.1”N 9°23’26.9”W

Muitos autores vêm na estrutura urbana da Vila, influências hispano-árabes, que se traduzem na sua conceção "anárquica", que dificultava a tarefa dos invasores e facilitava a fuga dos moradores para as zonas fortificadas.

Na estreiteza das suas ruas em busca de sombra, e na pouca importância dada às mesmas, visto ser a medina o centro do povoado, que hoje corresponde a Praça da República, onde se realizava o zoco, ou seja, o mercado.

10
IGREJA DE SANTA MARIA

GPS: 38°47’37.6”N 9°23’05.6”W

Mandada erigir por D. Afonso Henriques, na sequência da tomada de Sintra aos Mouros, em 1147, permaneceu como propriedade da Coroa e sob a proteção real até à dinastia de Avis, altura em que se transfere para a posse das rainhas.

Leonor, mulher de D. Afonso V, doou-a à Ordem de Cristo na sequência da conquista de Arzila.

Esta igreja de Sintra, por altura da sua construção e até ao último quartel do século XIII, não passava de uma pequena ermida. O edifício original foi demolido para ali se construir o definitivo, em tempo do prior Martim Dade. Danificada pelo terramoto de 1755, sem que, porém, fossem atingidos elementos estruturais, foi posteriormente recuperada.

O corpo da igreja é muito simples, com três naves separadas por arcadas com pilares monocilíndricos e uma capela única de cabeceira, de planta poligonal. Impõem-se os capitéis das colunas, vegetalistas e naturalistas, bem como o desenho das impostas, a pia batismal e o pórtico gótico.

11
CONVENTO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

GPS: 38°47’32.9”N 9°23’06.8”W

O Convento da Santíssima Trindade, ou Trino do Arrabalde, é uma construção comprida, com conjunto de pequenas janelas ao longo do primeiro andar, à exceção de uma outra um pouco maior, com um interior digno de ser visitado, nomeadamente os claustros e os azulejos setecentistas.

Nas suas origens medievas, teria existido uma primitiva ermida de Santo Amaro, destino de muitas romarias de gentes de Sintra e de Cascais.

O primitivo convento foi mandado erigir por D. João I, apiedado pelas más condições em que viviam os frades, mas foi, ao longo dos tempos, reconstruído e restaurado.



 
12
CAPELA DE SÃO PEDRO DE CANAFERRIM

GPS: 38°47’32.6”N 9°23’19.0”W

A mais antiga Igreja de Sintra foi mandada edificar por D. Afonso Henriques, no perímetro do Castelo dos Mouros.

Com o despovoamento da zona foi votada ao abandono e substituída pela Igreja paroquial de S. Pedro de Penaferrim, paróquia que até ao reinado D. Pedro I, agregava todo o atual concelho de Cascais.

Uma velha escultura gótica de pedra representando o Santo padroeiro encontra-se na referida Igreja Paroquial.

Inserida no sonho romântico de D. Fernando II, foi por este em parte recuperada, dentro do espírito do Parque da Pena.

 

13
CASTELO DOS MOUROS
GPS: 38°47’33.2”N 9°23’21.5”W

Construído num dos picos da Serra, sobranceiro à Vila, com parte das muralhas restauradas por D. Fernando II, serpenteadas pelo verde romântico, eis o denominado Castelo dos Mouros, por estes edificado no século VIII.

Palco de conquistas e reconquistas foi definitivamente tomado por D. Afonso Henriques em 1147, na sequência das tomadas de Santarém e Lisboa.

Progressivamente perdendo a sua importância militar foi votado ao abandono. Para além das belas vistas que nos proporciona, ainda podemos contemplar as cisternas árabes, a zona mor da antiga alcáçova situada junto à torre Norte, as velhas cavalariças, a Porta Árabe, a Torre Real, a mais alta, assim chamada, por ser um dos pontos privilegiados pelo Rei Artista daí observar o seu Palácio da Pena.