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"Street Art" em debate no MU.SA

No âmbito do ciclo “Encontros Artísticos” o MU.SA – Museu das Artes de Sintra recebe, no dia 21 de setembro, às 16h00, o graffiti writer RAM Miguel, para uma conversa onde irá debater o tema “Street Art”, com entrada gratuita.

Ram é o nome sob o qual o artista Português Miguel Caeiro (n. 1976) tem operado desde que começou a intervir clandestinamente nas ruas em 1997. Precursor do graffiti e arte urbana de cariz experimental, Ram tem trilhado um caminho singular na construção de uma linguagem inteiramente original no mundo da nova estética urbana. As suas explosões energéticas de cor e formas dinâmicas aproximam-se de uma action painting contemporânea impregnada de um visionarismo de raiz psicadélica, numa linha de intensa vitalidade que exprime a construção de realidades etéreas – projeções de um fértil imaginário do sub e inconsciente onde impera a força dinâmica e primeva da natureza.

Natural de Sintra, cresceu na intersecção entre o mundo natural e selvagem e o mundo urbano e civilizado. Com uma predisposição inata para complementar opostos, o seu trabalho reflecte a assimilação de ambos na criação de uma visão nova. Uma viagem pelo fantástico que começou com o fascínio pela arqueologia e os mundos perdidos que encontrou eco no seu anseio pela exploração, pela transcendência. Uma fusão de mistério e misticismo, viagem e aventura, expressão gráfica e visual, poesia em movimento. Ram é, aliás, um diminutivo de Ramsés, reflexo desse mesmo gosto pelos mundos antigos e civilizações perdidas. Com o tempo, porém, o nome tornou-se acrónimo, adquirindo um significado e importância que reflecte a sua realidade criativa presente com precisão: Rapid Aerosol Movement.

Com um pendor instintivo pela experimentação, o artista foi apurando o lado técnico da pintura e soltando o traço expressivo. Das formas pesadas e sólidas foi transitando para o improviso, o movimento solto, a fluidez. A ação performativa e a energia ganharam presença, levando-o à linguagem individual que hoje caracteriza um estilo aparentemente selvagem e indomado, mas minucioso, preciso e pleno de equilíbrio. Ao longo dos anos, esse mesmo movimento incansável tem-no levado a explorar uma multiplicidade de suportes – do intimismo detalhado da aguarela à manifesta imponência dos murais em grande escala, da instalação conceptual à performance interdisciplinar.

Tido como um dos mais inovadores artistas urbanos contemporâneos, tem participado em inúmeros festivais e eventos expositivos à volta do mundo e exposto regularmente o seu trabalho em mostras quer individuais, quer coletivas. Tem participado igualmente na curadoria artística de vários eventos, da célebre VSP – pioneira exposição de arte urbana realizada em Lisboa entre 2004 e 2009 – ao conceituado Boom Festival, entre muitos outros.

Tem desenvolvido também uma linha de land art, edificando grupos escultóricos efémeros a partir de elementos naturais que tem deixado nos quatro cantos do mundo por onde tem viajado – em busca de paredes para pintar, mas também de outras para deslizar, sobre a água, no surf que o acompanha sempre que pode. Na tal busca de equilíbrio entre mundos, realidades, dimensões.

 

 

MU.SA - Museu das Artes de Sintra

Av. Heliodoro Salgado, Estefânia

2710-575 Sintra