“A COLEÇÃO CUNHA E COSTA – UM PORTUGAL QUE NOS UNE!”
O ato de doação é um ato de gratidão para com Sintra e as suas gentes: «Como demonstrar a minha gratidão? Creio será esta; doando-lhes a minha coleção, que para mim é como se fôra filha a quem desse a vida, e que ficará à guarda e conservação dos seus representantes, a quem do coração agradeço a terem aceite.»
Eduardo da Cunha e Costa (Picoas)
16 de Agosto de 1941
Cerimónia de inauguração da Sala de Etnografia no
Museu Municipal (Palácio Valenças)
Eduardo da Cunha e Costa doou ao Município de Sintra, em 1940, uma valiosa coleção etnográfica originária de várias regiões de Portugal. Era, à época, a melhor coleção de cerâmica regional do país, sendo o produto de 40 anos de dedicada, paciente e esclarecida recolha. A presente exposição constitui uma justa homenagem a este colecionador e amigo de Sintra.
Aqui se mostram peças únicas, que refletem a cultura, as histórias e as técnicas ancestrais de diversas comunidades, de norte a sul do país. Através delas e das suas especificidades, é um Portugal que nos une!
Constituída maioritariamente por cerâmica decorativa e utilitária, encontra-se organizada de acordo com os seguintes temas: “O Pão”; “A Economia Doméstica”; “A Cozinha”; “O Vinho e o Azeite” e “A Infância”, com os exemplares expostos a dar testemunho da resposta a necessidades transversais às várias regiões do país, auxiliando nas atividades familiares, sem deixar de incluir, também, objetos relacionados com o lazer e a brincadeira.
É neste contexto que se encontram expostos, bilhas, potes, asados, moringues, barris, cantis, bruxas, garrafas, jarros, pichorros ou infusas, sendo que talvez o mais enigmático exemplar seja a “Bilha do Segredo”, famosa devido ao segredo que lhe dá o nome e que permite beber o líquido – água ou vinho – sem o verter.
Dão-se igualmente a observar utensílios em madeira, ferro fundido e cobre, como tachos, frigideiras, espátulas e formas, que reinavam nas cozinhas, onde cada objeto tinha uma função prática na confeção dos alimentos, mas também os brinquedos: miniaturas de objetos funcionais, animais, instrumentos musicais como a flauta, a campainha, o apito ou a ocarina.
Merecem também um particular destaque, pela sua especificidade, os Barros Negros de Molelos (Tondela) e Tourencinho (Vila Pouca de Aguiar), o Pedrado de Nisa e a Tradição Oleira Mafrense, onde pontuam curiosas garrafas com formas humanas, espelhando aspetos do imaginário popular, nomeadamente a “Chica Chorona” e a “Pandorga”.
Mas existe uma outra vertente expositiva, constituída pela fabulosa coleção de figurado de barro que aqui ganha um justo protagonismo. Com figuras de regiões tão distintas como Alcobaça, Porto, Coimbra, Covilhã, Lisboa ou Estremoz, são os trajes, atividades ou profissões tradicionais que se retêm nestas representações de criatividade e arte popular, não resistindo a destacar o Presépio de Estremoz, os Galos de Barcelos o “Apanhador de Morangos”, a “Vendedeira de Queijadas”, os Músicos da Banda ou a “Lavadeira Beatriz Costa”.
Proporcionando uma viagem pelas várias regiões de Portugal, é a cultura local e as tradições que se revisitam nesta coleção, que, mais do que aquilo que nos distingue, antes valoriza aquilo que nos une.
Informações:
Acesso gratuito;
De terça-feira a sexta-feira, das 10h00 às 18h00; Sábados e Domingos, das 12h00 às 18h00;
Marcação de visitas guiadas: Tel: +351 219 238 828 ou E-mail:
dbmu.museu.fcastro@cm-sintra.pt