Entrevista - "Os Instantâneos"

fev16 instantaneos 01“OS  INSTANTÂNEOS” - PASSADO A LIMPO

Com o espetáculo Passado a Limpo marcado para 5 de fevereiro no Centro Cultural Olga Cadaval, falámos com os Instantâneos, grupo que já se vai tornando presença regular entre nós. Eles são o Marco Graça, Marco Martin, Nuno Fradique, Ricardo Soares e Gustavo Miranda.

 

 

Como surgiu o vosso grupo e qual tem sido o percurso desde então?

Estivemos juntos pela primeira vez em 2010, no âmbito de uma formação de improvisação teatral lecionada pelo professor Pablo Pundik, um improvisador argentino, que vive actualmente em Madrid.

Ao longo dos 5 anos de vida dos Instantâneos, rodámos sem interrupções, por vários palcos nacionais e trabalhámos sempre no sentido, de nos tornarmos numa espécie de casa, com a porta aberta, para improvisadores internacionais. Penso que este é o ADN desta companhia.

O conceito por vós desenvolvido tem congénere noutras experiências, em Portugal e no estrangeiro. Consideram-se influenciados por algum grupo ou modelo artístico?

Nós fomos muito influenciados pela improvisação espanhola, principalmente por dois grupos, que nos servem sempre de inspiração que são os ImproMadrid e os Planeta Impro, de Barcelona. Mas obviamente que temos muitas influências, até porque cada improvisador que conhecemos nos deixa sempre algo de si e da sua arte. Por outro lado tentamos sempre criar o melhor espetáculo possível, com especial atenção aos detalhes técnicos e cénicos, sem que com isso percamos a espontaneidade da improvisação.

Humor, Non Sense, Improviso. Estes conceitos estão relacionados, e podem complementar-se?

Estão obviamente relacionados, mas não são de forma alguma os ingredientes fundamentais para a improvisação teatral. Quando entramos em palco, não estamos preocupados em fazer o público rir. Estamos, isso sim, muito concentrados uns nos outros e no que o público nos tem para oferecer.

O que fazemos é sempre o resultado dessa relação única com o espetador.

O que distingue o vosso tipo de espetáculo do humor clássico?

A improvisação 0ferece algo único, que mais nenhum espectáculo pode oferecer, a ausência de conteúdo. Por si só, isso coloca público e artistas na mesma linha de partida.

E é precisamente essa sensação de estar no fio da navalha, de surpresa constante e de erro, que oferece ao espetador uma experiência teatral fora do comum.

O que pode ser mais marcante no vosso tipo de espetáculo? A originalidade, a diversão, o inesperado?

Nós trabalhamos para que o fator que mais marque o público, a seguir ao nosso espetáculo, seja o acto de criação. Mais do que ser cómico ou inesperado, queremos que o público aprecie a construção de uma história, das suas personagens e situações, a começar do zero. No fundo é essa a magia da improvisação, partir do nada, em direcção ao desconhecido.

Dia 5 de fevereiro vão apresentar-se no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra. O que nos podem prometer para esse dia?

No dia 5 vamos ter um convidado connosco em palco, o improvisador brasileiro Daniel Nascimento. O Daniel é muito conhecido do público português, por fazer parte do elenco da companhia Barbixas. Vamos apresentar em conjunto, o espetáculo “Passado a Limpo”, no qual improvisaremos a nossa versão de um determinado evento histórico, escolhido pelo público. Prometemos que não fazemos a mínima ideia o que vai acontecer, mas o que quer que seja que aconteça, vai ser único!

Quais são os vossos planos para o futuro?

No imediato estamos a trabalhar na produção da 5ª edição do Espontâneo - Festival Internacional de Teatro de Improviso, o único festival no panorama nacional, dedicado em exclusivo à improvisação. E que este ano conta com convidados de excelência, vindos da Austrália, Estados Unidos, Israel, Peru e Argentina. Vai acontecer já no final de abril, no Centro Cultural Olga Cadaval.

Antes disso, em março, recebemos os Impromptu, uma companhia da Costa Rica, que se estreia connosco em palcos nacionais.

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