Mónica Capucho
12 de dezembro de 2025 a 15 de fevereiro de 2026 | Sala Polivalente – MU.SA - Museu das Artes de Sintra

“Reflections apresenta uma série de instalações de pinturas monocromáticas que exploram estruturas geométricas e repetições fragmentadas. A reflexão dos princípios estruturantes de cada pintura são assinalados em barras com palavras referentes ao conceito de cada instalação. Estas centram-se numa composição principal, que funciona como núcleo, acompanhada por obras derivadas - ampliações, fragmentos ou variações - todas extraídas da mesma forma-base. Este método de uma forma e múltiplas extrações organiza cada agrupamento como um sistema coerente, no qual cada elemento mantém a sua autonomia, mas também se relaciona com o todo.
A construção das pinturas revela-se nas camadas visíveis de tinta. As aguadas diluídas
iniciais surgem sob várias camadas mais densas de tinta, criando vários planos, profundidades e texturas. Esta estratificação transforma o próprio processo em parte da experiência do espectador: o movimento do olhar através das superfícies descobre detalhes, ecos da forma original e pequenas variações que ampliam a perceção do conjunto.
O vocabulário geométrico é deliberadamente rigoroso e primário, baseado em retângulos e faixas. As suas estruturas permitem que a composição principal estabeleça ordem, enquanto os elementos derivados expandem, fragmentam e refletem essa composição, oferecendo múltiplas perspetivas visuais. A tensão entre simetria e assimetria cria uma dinâmica subtil que conduz o olhar, permitindo que cada obra seja simultaneamente parte de um sistema maior e uma entidade autónoma.
O processo de repetição não é apenas formal, mas conceptual. Ao extrair uma forma central e gerar variações, exploro como pequenas alterações ou deslocamentos podem modificar a perceção do todo, sem comprometer a coerência do sistema. Esta estratégia permite que cada obra, embora derivada da mesma origem, apresente uma identidade própria, reforçando o conceito de reflexão e de expansão dentro do campo compositivo. O resultado é um espaço onde a geometria rigorosa se encontra com a liberdade de interpretação e onde a observação cuidadosa revela múltiplas camadas e versões das pinturas expostas.
A paleta restrita ao preto, branco e cinzentos reforça a clareza estrutural das composições, destacando o ritmo, as texturas e as interações das formas geométricas. Reflections propõe uma experiência visual em que unidade e variação coexistem, permitindo que a perceção de cada detalhe se ligue à lógica interna que sustenta toda a instalação, criando um
contínuo jogo de reflexos visuais e formais. As palavras escolhidas para cada instalação
assinalam e acentuam as regras conceptuais e composicionais que tenho vindo a desenvolver nos últimos anos do meu trabalho.”
- Mónica Capucho
“Reflections presents a series of monochromatic painting installations that explore geometric structures and fragmented repetitions. The reflection of the structuring principles of each painting is marked on bars with words referring to the concept of each
installation. These focus on a main composition, which functions as a nucleus, accompanied by derivative works - enlargements, fragments or variations - all extracted
from the same base form. This method of one form and multiple extractions organizes each grouping as a coherent system, in which each element maintains its autonomy, but also relates to the whole.
The construction of the paintings is revealed in the visible layers of paint. The initial diluted washes appear under several denser layers of paint, creating various planes, depths and textures. This stratification transforms the process itself into part of the viewer's experience: the movement of the gaze across the surfaces reveals details, echoes of the original form and small variations that broaden the perception of the whole.
The geometric vocabulary is deliberately rigorous and primary, based on rectangles and
stripes. Their structures allow the main composition to establish order, while the derivative elements expand, fragment and reflect that composition, offering multiple visual perspectives. The tension between symmetry and asymmetry creates a subtle dynamic that guides the gaze, allowing each work to be simultaneously part of a larger system and an autonomous entity.
The process of repetition is not only formal, but conceptual. By extracting a central form
and generating variations, I explore how small changes or shifts can modify the perception of the whole, without compromising the coherence of the system. This strategy allows each work, although derived from the same source, to present its own identity, reinforcing the concept of reflection and expansion within the compositional field. The result is a space where rigorous geometry meets freedom of interpretation and where careful observation reveals multiple layers and versions of the paintings on display.
The palette, restricted to black, white and greys, reinforces the structural clarity of the compositions, highlighting the rhythm, textures and interactions of the geometric forms.
Reflections proposes a visual experience in which unity and variation coexist, allowing the perception of each detail to connect to the internal logic that underpins the entire installation, creating a continuous play of visual and formal reflections. The words chosen for each installation highlight and accentuate the conceptual and compositional
rules that I have been developing in recent years in my work.”
- Mónica Capucho
Sobre Mónica Capucho
- 1971
Lisboa
Licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, 1993/98. Completou o curso de pintura da Escola de Artes Plásticas ALPACA em Bruxelas, 1990/93 (entretanto extinta). Fez um Estágio de escultura em poliéster com o escultor Francis Tondeur em Bruxelas (1993).
O seu trabalho desenvolve-se numa pesquisa que cruza pintura, texto e instalação, explorando o espaço onde imagem e palavra se encontram. As suas obras caracterizam-se por uma forte atenção à materialidade, recorrendo a suportes com técnicas diversas como betão, madeira, pedra e vidro. Tem interesse em investigar como a matéria e formas geométricas influenciam a perceção visual.
A sua pintura não se centra apenas na representação, mas sim na construção de uma linguagem própria, feita de camadas, sobreposições e relações entre elementos. O texto, quando presente, integrasse como parte da obra plástica, não apenas como mensagem, mas como corpo visual que dialoga com a pintura.
As peças de Mónica Capucho expandem-se para além do quadro, muitas vezes ocupando o espaço expositivo em instalações site-specific, nas quais a obra dialoga diretamente com a arquitetura do lugar. Entre objetividade e subtileza, as suas pinturas e instalações convidam o espectador a uma leitura atenta da cor, da matéria e da relação entre ver e ler.
Atualmente é representada (desde 2000) pela Galeria Carlos Carvalho-A.C., na qual se destacam 3 exposições: Clean Approach (2007), Uneven Order (2020) e Deconstructive Blocks (2012). Foi também representada pela Galeria Quadrado Azul entre 2000 e 2010, na qual se destacam 3 exposições individuais: Linear Sense (2005), Strategic Plan (2008) e Possessive Statement (2010).
Tem participado em várias exposições coletivas, inclusive internacionais, destaca-se “Identidad Femenina” em Espanha, Brasil e Colômbia.
A sua obra integra coleções públicas e privadas em Portugal e fora: Fundação PLMJ, Galeria Municipal Vieira da Silva, Embaixada de Portugal em Buenos Aires, Argentina, Atenas, Copenhaga e Pretória.
Fundação das Casas Fronteira e Alorna, Luciano Benetton Collection, Veneza entre outras.
About Mónica Capucho
Lisbon, 1971
Monica Capucho graduated in Painting from the Faculty of Fine Arts of the University of Lisbon (1993–98) and completed the Painting Course at the ALPACA School of Visual Arts in Brussels (1990–93, now closed).
In 1993, she undertook an internship in polyester sculpture with the sculptor Francis Tondeur, also in Brussels.
Her work unfolds through a practice that interlaces painting, text, and installation, exploring the intersection between image and language. It is distinguished by a strong attention to materiality, often incorporating diverse media and techniques such as concrete, wood, stone, and glass. She is particularly interested in examining how matter and geometric form influence visual perception.
Her painting goes beyond representation, focusing instead on constructing a personal visual language built from layers, overlaps, and the relationships between elements. When text appears, it integrates seamlessly into the pictorial composition—not merely as a message, but as a visual element that interacts with the painting itself.
Mónica Capucho’s works often extend beyond the canvas, occupying exhibition spaces through site-specific installations in which the artwork directly engages with the surrounding architecture. Balancing objectivity and subtlety, her paintings and installations invite viewers to a careful reading of color, material, and the dialogue between seeing and reading.
Since 2000, she has been represented by Galeria Carlos Carvalho – A.C., where three solo exhibitions stand out: Clean Approach (2007), Deconstructive Blocks (2012), and Uneven Order (2020). She was also represented by Galeria Quadrado Azul between 2000 and 2010, where she held three solo exhibitions: Linear Sense (2005), Strategic Plan (2008), and Possessive Statement (2010).
Her work has been featured in numerous group exhibitions in Portugal and abroad, notably Identidad Femenina, presented in Spain, Brazil, and Colombia.
Her pieces form part of several public and private collections in Portugal and internationally, including Fundação PLMJ, Galeria Municipal Vieira da Silva, the Embassies of Portugal in Buenos Aires, Athens, Copenhagen, and Pretoria, Fundação das Casas Fronteira e Alorna, and the Luciano Benetton Collection in Venice, among others.



