PAPPUS
Pappus Collective
Vera Fonseka e Sejin Cho

12 de dezembro de 2025 a 15 de fevereiro de 2026 | Galeria Municipal do MU.SA – Museu das Artes de Sintra
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PAPPUS apresenta a primeira colaboração entre Vera Fonseka (pintura e desenho) e Sejin Cho (instalação e pintura). O projeto cruza práticas distintas num mesmo eixo de investigação: coexistência, deslocamento e escuta. O termo botânico pappus — estruturas que permitem às sementes viajar e criar raízes noutros lugares — foi adotado como metáfora de partilha e reconfiguração, refletindo percursos de vida e trabalho radicados em Lisboa.

A exposição propõe uma reflexão sobre linguagem e comunicação não verbal, onde o intervalo entre compreender e não compreender se torna produtivo. Por meio da tradução entre som, texto, imagem e corpo, as obras articulam a tensão entre o visível e o invisível, entre dizer e escutar.

Em Sejin Cho, a ênfase recai na instalação: um monitor exibe em tempo real ondas sonoras geradas por voz e ambiente; um altifalante, oculto, emite fragmentos de leitura. Passos, respirações e ruídos do público interferem no sistema, tornando a escuta uma experiência situacional. A artista trabalha o som como matéria e a pintura como campo de ressonância visual, transformando vibrações em imagem e luz.

Em Vera Fonseka, a intervenção incide na pintura e no desenho: o poema mural Campo de Escuta, escrito à mão com caneta acrílica, converte a palavra em inscrição pictórica. O traço — gráfico e cromático — investiga a distância entre voz e silêncio, corpo e tradução. A cor, em particular o rosa, opera como campo simbólico de resistência e de reinscrição de memórias coletivas.

Entre ambas as obras afirma-se uma relação de reciprocidade sem fusão: autonomia material e diálogo conceptual. PAPPUS constitui, assim, um ensaio sobre o encontro e a diferença — um lugar onde som e cor, visível e audível, se cruzam na tentativa de reconhecer o outro sem o reduzir. Mais do que uma exposição, é um exercício de escuta partilhada e de coexistência sensível, onde a arte se afirma como campo de tradução, cuidado e resistência.

 

 

 

Sobre a Pappus Collective

 

Vera Fonseka

Vive e trabalha em Lisboa.

Artista visual e investigadora, nascida na Estónia e a viver em Lisboa. Doutoranda em Pintura na FBAUL, trabalha entre pintura, colagem e instalação. A sua prática explora a cor — especialmente o rosa — como operador político e simbólico. Investiga temas de memória, apatridia e reconstrução identitária. Finalista do Women’s Art Fellowship e do Prémio “A Arte Chegou ao Colombo”. Expôs no MNAC, Museu da Tapeçaria de Portalegre e Galeria de Casino Estoril. O seu trabalho articula gesto, matéria e pertença em camadas de tempo e sentido.

 

Sejin Cho

Vive e trabalha entre a Seul (Coreia do Sul) e Lisboa.

 Licenciada e Mestre em Pintura pela Universidade de Hongik, Seul. Trabalha em pintura, instalação e performance, explorando existência e fragilidade. As suas obras utilizam materiais efémeros, revelando o tempo como matéria sensível. Participou em exposições no Soma Museum of Art e Galeria aSfh (Coreia). Finalista da Space Walden Residency e do Jeju World Heritage Art Festival.