Maria Amélia Luísa Helena de Bourbon-Orleans nasceu em Twickenham, a 28 de setembro de 1865. Veio ao mundo já marcada pelo exílio imposto pela República Francesa aos Condes de Paris, seus pais e herdeiros da coroa. O destino reservar-lhe-ia um casamento que resultou da escolha pessoal do príncipe herdeiro da coroa portuguesa, futuro D. Carlos I, que por ela se apaixonou.Chegou a Portugal em 1886 e três anos mais tarde tornou-se a sua última rainha. Rainha num cenário de terrível instabilidade que custaria a vida do seu marido e do seu amado primogénito D. Luís Filipe em 1908.
Morreu em 1951 no Castelo de Bellevue em Le Chesnay, perto de Versailles:
«Morro em França mas é em Portugal que quero descansar»
D. Amélia foi uma das muitas figuras da nossa história que soube encontrar, em Sintra, momentos de paz, de felicidade e de descanso. Calcorreou estas amadas terras incontáveis vezes, só ou acompanhada, com gente simples ou aristocrata, portuguesa ou europeia. Acompanhemo-la nós também!
Morreu em 1951 no Castelo de Bellevue em Le Chesnay, perto de Versailles:
«Morro em França mas é em Portugal que quero descansar»
D. Amélia foi uma das muitas figuras da nossa história que soube encontrar, em Sintra, momentos de paz, de felicidade e de descanso. Calcorreou estas amadas terras incontáveis vezes, só ou acompanhada, com gente simples ou aristocrata, portuguesa ou europeia. Acompanhemo-la nós também!
Como escreveu Eça de Queirós na sua obra A Rainha, para a revista Moderna em Paris: «A Rainha ama a nossa terra como se dela houvesse brotado…E nem o patriotismo mais ciumento poderia reclamar que uma senhora de terra alheia, desde que entregou a mão, numa igreja, diante de um bispo, a um príncipe nosso, logo entregasse o coração todo, sentidamente, ao povo e à terra de que um contrato a ergueu rainha. Mas, realmente a Rainha, desde que a lei a tornou portuguesa, logo se desejou portuguesa.»
Se houve lugar onde a rainha D. Amélia viveu momentos inesquecíveis de paz foi na sua amada Sintra, e nela, particularmente, no Palácio da Pena, onde passava grande parte dos seus Verões.
Neste palácio, resultante do sonho romântico do rei consorte D. Fernando II cuja beleza estética e o ecletismo nos envolvem, o espírito sensível e artístico de Amélia de Orleans e Bragança não poderia ficar indiferente. No próprio palácio se poderia fazer um roteiro ameliano começando pela sala de jantar do rei D. Carlos que alberga um centro de mesa de prata, em forma de nau, com as armas de Paris, prenda de casamento recebida pela rainha das senhoras de Paris.
No primeiro piso é de referir o quarto da rainha, com paredes e tetos decorados por extraordinário trabalho de estuque feito pelos irmãos Meira de Afife. Os dois fechos de abóbodas representam, respectivamente, as armas dos reis D. Maria II e Consorte e as de D. Carlos e D. Amélia. A cama de bilros e pau- santo, do século XVIII, apresenta dossel e cobertura. Destaca-se ainda o pormenor da folha seca dentro da jarra da mesa-de-cabeceira, que a rainha deixou ficar para se lembrar da sua paixão por aquele palácio e por Sintra.
Resta-nos imaginar os seus passeios de bicicleta na Pena, os jogos de ténis no picadeiro e o passear pelo frondoso parque apreciando as cameleiras.
Os dias 3 e 4 de outubro de 1910, dias que antecederam a implantação da república, foram vividos na Pena, ali passou a última noite, antes de partir para o exílio.
Em1945, após a segunda Guerra Mundial, D. Amélia regressou ao palácio da Pena para recordar, em silêncio e só, os momentos felizes que ali viveu.







