CMLC | Casa-Museu de Leal da Câmara
Foi no dia 30 de Novembro de 1876, em Pangim (Nova Goa, Índia Portuguesa), que nasceu Tomás Júlio Leal da Câmara.Embora órfão de pai apenas desde 1895 (com 19 anos de idade), é junto da mãe – D. Emília Augusta Leal – que o jovem se formará, extremamente ligado a esta e poupado pela mesma a todo o tipo de dissabores.
Tal educação, contudo, não fora suficiente para o 'amolecer', pois demonstra, desde tenra idade, um ser insubmisso e indócil, mesmo contestatário e possuidor de ideias novas, pelas quais se bate com denodo.
Já em Lisboa, e logo após a sua curta passagem pelo Curso Superior de Veterinária, em 1896, Leal da Câmara "(...) desertava para a vida de arte e boémia, que tal era o ofício de desenhador e caricaturista na velha Lisboa mole e patriarcal, à qual começava a arrepelar a epiderme cascuda de conformismo a furuncolose política anti-dinástica.(...) Era uma bandeira que aparecia pela primeira vez a defraldar nos ares pátrios um ideal cheio de promessas, um abanão à sornice lusitana (...)”.*
Esta opção, acrescida da convição em ideais diferentes, fará com que nada, nem ninguém, seja poupado ao seu traço de genial e sarcástico caricaturista. A acidez que imprime nas suas obras e as suas simpatias pelo Republicanismo valer-lhe-ão longos anos de exílio, primeiro em Madrid, e, depois, em Paris.
A capital espanhola foi-lhe, no princípio, algo hostil. Muito perto da pátria lusa e da Lisboa "corrupta e pacata", Madrid não lhe chegará a proporcionar grande realização. Será Paris, aonde chega em 1900, ano em que decorria a grande Exposição Universal, que lhe trará reconhecimento e glória. Aqui viverá, consecutivamente, durante cerca de 11 anos, trabalhando em muitos jornais e revistas parisienses (e francesas), mas não perdendo, todavia, o contato, não só com outros exilados seus conterrâneos, como com Portugal.
Em 1911, já depois de implantada a República Portuguesa, a 5 de Outubro do ano anterior, Leal da Câmara regressa a Lisboa, passando a colaborar em vários periódicos. Sucedem-se as exposições de mobiliário e de pintura, tal como as conferências dedicadas a temas diversos (Arte, Pintura, Publicidade, Caricatura, Desenho).
A tão almejada República, ou melhor, as ações dos seus intervenientes, acabam por desapontar o artista, levando-o a partir de novo para França, de onde, em 1915 – e motivado pela I Guerra Mundial – regressa definitivamente a Portugal.
Quatro anos depois, ingressa no Magistério Industrial, nas Escolas Infante D. Henrique e Faria de Guimarães, ambas no Porto. Mais tarde, por volta de 1920, Leal transfere-se para Lisboa, aceitando um lugar de professor na Escola de Fonseca Benevides. Fixa residência na capital e casa, nesse mesmo ano, com Júlia da Conceição Azevedo, dileta colaboradora da escritora Ana de Castro Osório.
Data de 1923 a aquisição de um antigo casal saloio sito na Rinchoa, para onde se mudará o casal sete anos após a sua compra, passando a levar, desde esse então, e de certo modo, uma vida mais 'sossegada' e 'contemplativa'.
Como professor, torna-se metodólogo, revolucionando o ensino feminino entre nós. Às suas ideias, mais arrojadas, mais modernas e mais consentâneas com a modernidade e com a lucidez didática, pedagógica e social que por toda a Europa se assiste, muitos dos seus pares e superiores hierárquicos se acabarão, com o tempo, por render.
Leal da Câmara aposenta-se em 1946, por limite de idade, deixando a sua vida de professor, entre homenagens e condecorações, e perante a unanimidade do reconhecimento público da sua obra neste campo.
No "Estado Livre da Rinchôa", autêntico contraponto à cidade (a localidade era então verdadeiramente um simples lugar), viverá o Mestre entre 1930 e 1948, ano da sua morte, dedicando-se, durante todo esse tempo, sobretudo, à fixação pictórica dos costumes saloios que diretamente observa.
Ficará para sempre o seu humanismo, os seus ideais, a sua dedicação ao ensino e a sua conduta exemplar como cidadão perpetuadas nos inúmeros textos, referências e obras que lhe foram (e ainda são) dedicadas, tal como na acção científico-museológica que diariamente empreende a Casa-Museu de Leal da Câmara.
* [in Aquilino RIBEIRO, 1981, Leal da Câmara. Vida e Obra, edição dirigida artisticamente por Abel Manta e publicada pelos Serviços Municipais de Turismo da Câmara Municipal Sintra, a partir da edição de 1951, Sintra, p. 10].
Será a caricatura política, porém, que lhe ocupará mais tempo de trabalho, numa primeira fase, que poderemos balizar entre 1887 e 1898, altura em que parte exilado para Espanha. De cariz subversivo, impiedoso e acutilante, os desenhos do jovem Câmara desde logo enfurecem as autoridades e a ordem vigente. Canaliza as atenções e todo o seu entusiasmo de republicano contra o poder régio, contra os políticos e contra a acção política concreta, elegendo a figura do Rei D. Carlos I como alvo e símbolo do regime e do 'estado de coisas' que pretende ver mudados. É nessa altura que saem a público as suas famosas colaborações n'Os Ridículos, na Marselhesa, n'A Marselheza e n'A Corja, a par das ilustrações de várias obras infantis de Ana de Castro Osório.
Pode dizer-se, de certo modo, que foi em Madrid que Leal da Câmara iniciou o seu período de elaboração de retratos tipo portrait-charge, fixando, essencialmente, personalidades dos meios artísticos e literários, como, ainda, alguns políticos conhecidos. Esta faceta perdurará durante os seus primeiros anos de Paris, onde terão larga repercussão os retratos (e frisos) de soberanos publicados na revista L'Assiette au Beurre.
O exílio espanhol do caricaturista resume-se a um período de apenas quase 3 anos, pois era Paris a verdadeira cidade cosmopolita da Europa e, por isso, destino privilegiado dos artistas e dos poetas, a meta final dos espíritos verdadeiramente livres e independentes. Para além disso, a França era já uma República bem implantada e consistia um país liberal e democrático, onde todos os intelectuais com talento tinham um lugar. A este propósito refere-se Aquilino Ribeiro quando diz:
Dum sabemos nós que tendo, por assim dizer, cortado o cordão umbilical com a terra pátria, existia em Paris, gordo, farto, satisfeito e forte como rei de armas, Leal da Câmara." (in Por Obra e Graça, 1940, Lisboa, p. 93)
Expõe em galerias ('Weil', 'Montmartre'), convive com muitas personalidades (Pablo Picasso, Paco Sancha, Abel Faivre, Caran d'Ache, Blasco Ibañez, Gottob, Jacques Villon, Rouveyre Willete, Collette, Trotsky, Clémenceau, entre muitos outros) e publica trabalhos seus no Rire, Le Caricature, L’ Indiscret, Le Cri de Paris, La Vie Pour Rire, Frou-Frou, Sans-Gêne, Le Diable, etc.. Conhecendo, durante a sua estada na capital francesa, a internacionalização e o reconhecimento geral da sua obra.
É durante este período que se instaura o regime republicano em Portugal e, de certa forma, termina aqui o seu exílio. Deixa de haver o motivo (álibi) pelo qual se ausentara e regressa a Lisboa, não encontrando ainda um país 'novo' ou 'diferente', embora a pátria lusa vivesse já, é certo, uma profunda convulsão.
Em Portugal, também foram reconhecidos, de algum modo, embora incipientemente, o seu vasto trabalho e o seu inegável mérito.
Sucedem-se exposições e homenagens, mas Leal cedo se desilude e não se 'enquadra' no novo regime. Não luta por um 'lugar', nem aceita entrar no jogo das nomeações e vê-se obrigado a voltar para Paris, onde permanecerá até 1915, altura em que, com a Europa mergulhada numa guerra feroz, abandona a capital francesa e resolve retornar à cidade da foz do Tejo.
A partir de 1919, Mestre Leal da Câmara reparte o seu trabalho de caricaturista com o de professor, remontando a este período as participações na Seara Nova, a concepção da série 'Pierrots' e de inúmeras ilustrações para livros, revistas e jornais da época.
Depois da sua fixação na Rinchoa, em 1930, a sua atividade de 'repórter' caricaturista vai declinando, para, em seu lugar, se implantar a faceta de artista essencialmente voltado para a fixação do bucolismo de uma vivência pacata e rural, atento aos costumes e aos gestos característicos da vida simples, dedicando-se assim, e até à sua morte, ao registo da vida e do modo de ser das populações autóctones – Saloios.
Entrada gratuita
Horário:
terça-feira a sexta-feira: 10h00 às 18h00
sábados e domingos: 12h00 às 18h00
Última entrada às 17h30
Encerra à segunda-feira, feriados e situações pontuais previamente comunicadas.
Equipamento de interesse cultural não habilitado para mobilidade reduzida
Não necessita de reserva.
Marcação de visitas guiadas:
Tel.: +351 219 238 841 | +351 219 238 842
E-mail:
Calçada da Rinchoa, 67
2635-312 Rio de Mouro
Contactos:
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MU.SA - Museu das Artes de Sintra
Espaço Pedro Cabrita Reis

O museu promove a fruição e a compreensão da arte e da cultura contemporâneas, assim como o reforço dos laços com a comunidade local.
Obras que figuram na Coleção Municipal de Arte, exposições temáticas de artistas consagrados e de artistas emergentes, exposições específicas, bem como exposições organizadas em colaboração com instituições culturais portuguesas, são apresentadas nos diversos espaços do Museu, a públicos diversificados.
Coleção Emílio de Paula Campos (1884-1943)

Emílio de Paula Campos, professor de profissão, escultor, aguarelista e colecionador de arte por vocação, obteve a sua formação artística na Escola António Arroio, em Lisboa. Em 1973 o espólio artístico que lhe pertencia foi recolhido pelo seu sobrinho, o arquiteto Francisco Castro Rodrigues (1920), e oferecido à Câmara Municipal de Sintra, que primeiramente o expôs no antigo Museu Regional de Sintra passando a partir de agora a ocupar no MU.SA um lugar de destaque.
Sala Dorita Castel-Branco (1936-1996)
A escultora Dorita Castel-Branco formou-se na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa. Está representada em coleções nacionais e internacionais, dividindo-se entre o figurativo e o abstrato, abrangendo materiais tão diversos como o poliminium, o mármore, o poliéster ou o bronze. Destacou-se na escultura, na tapeçaria, no desenho e na medalhística, área que lhe valeu diversos prémios em Portugal e no estrangeiro. Em sua homenagem a Câmara Municipal de Sintra instituiu o Prémio Medalha Contemporânea Dorita Castel-Branco.Paisagem
Arte Abstrata
Arte Figurativa
Fotografia
MU.SA Galeria Municipal

MU.SA Galeria Municipal é um espaço para apresentação de exposições temporárias com um alargado conjunto de artistas nacionais e internacionais. O seu principal objetivo é a dinamização da produção artística atual nas suas diversas vertentes e propostas.
MU.SA Lab Arte
MU.SA Sala da Fotografia
Exposições
Normas
Para que visite as exposições no MU.SA- Museu das Artes de Sintra em segurança, implementou-se um conjunto de medidas para que desfrute de uma visita em segurança.
O visitante está impedido de:
- Usar selfie sticks para fotografar;
- Fotografar com flash ou tripé;
- Tocar nas obras de arte;
- Trazer animais para o museu, exceto cães de assistência;
- Comer e beber;
- Correr;
- Encostar-se às paredes;
- Fumar;
- Atender o telemóvel.
Outras normas:
- As crianças devem ser sempre acompanhadas por adultos;
- Respeitar as indicações dos funcionários do Museu;
- Cadeiras de rodas e carrinhos de bebé são autorizados;
- No caso de qualquer acidente ou acontecimento inusual, este deverá ser comunicado de imediato a um funcionário do Museu;
- Em casos devidamente identificados, algumas obras ou exposições podem sujeitar-se a normas diferentes das que aqui se apresentam;
- Em caso de um elevado fluxo de visitantes, poderá restringir‐se temporariamente o acesso.
Entrada gratuita
Horário:
terça a sexta-feira: 10h00 às 18h00
sábado e domingo: 12h00 às 18h00
Última entrada às 17h30
Espaço Cultural Acessível e Inclusivo
Encerra à segunda-feira, feriados e situações pontuais previamente comunicadas.
Marcação de visitas guiadas:
Tel.: +351 965 233 692 | +351 219 236 106
E-mail:
MU.SA - Museu das Artes de Sintra
Av. Heliodoro Salgado, Estefânia
2710-575 SINTRA
Contactos:
Serviço Educativo:
+351 219 236 106 | +351 965 233 692 |
Serviço Artes Plásticas:
+351 219 236 105 |
MAT | Museu Anjos Teixeira
O visitante, ao percorrer as salas do Museu Anjos Teixeira, facilmente descobrirá os modelos e as maquetas de muitas das obras que engalanam e ornamentam as praças, as ruas, os edifícios, as instituições e as avenidas de Portugal, resultando isso numa mais valia e numa maior proximidade entre o utente e as diversas coleções expostas (escultura, desenho, medalhística, pintura, correspondência e fotografia).
O filho de Artur Anjos Teixeira terá um percurso exclusivamente nacional (metrópole e ilhas adjacentes). Aprende com o pai, forma-se em escultura e, anos mais tarde, em Ciências Pedagógicas, a fim de poder lecionar.
Com 27 anos já se encontra em Paris, como bolsista do Legado Valmor. A capital francesa fervilhava de intensidade artística e Anjos Teixeira não desperdiçará a oportunidade. Expõe com sucesso e notoriedade e as suas obras, o Fauno e a Ninfa, figurarão em plinto próprio e com lugar de destaque.O seu trabalho, entre um naturalismo e um simbolismo quase lírico atinge a perfeição com as obras onde retrata o corpo feminino. As mulheres surgem, ora só nos bustos, ora de corpo inteiro, ora em composições, como motivo maior e delicado. Disso são exemplos o Busto de Nini Norte ou Varina, atando o pé.
Artur Anjos Teixeira era um excelente desenhador e disso são prova os seus inúmeros apontamentos de bloco de notas, ora em viagens, ora retratando os ratos que descobre passeando em sua casa, ora nos costumes que retrata. Mas também consegue ironia pura, como a que encontramos numa quase caricatura em três dimensões, o Baloiço.

Ao olharmos para o que hoje constitui o seu legado, percebemos a angústia que sabemos ter vivido, num país que pouco lhe reconheceu o génio. Como muitos da sua geração, viu em Paris um caminho que depois não continuou.
Ainda assim, encontra-se representado em diversos Museus e Coleções, bem como referenciado em diversa bibliografia.
O Museu encontra-se instalado num imóvel construído nos inícios do século XX, para azenha, que, na Azinhaga da Sardinha, aproveitava outrora as águas do Rio do Porto. Mais tarde, esta foi transformada em serração de pedra, tendo sido, por fim, adquirida pela Câmara Municipal de Sintra, no intuito de lá instalar um depósito de viaturas municipais.Entrada Gratuita
Horário:
terça-feira a sexta-feira: 10h00 às 18h00
sábados e domingos: 12h00 às 18h00
Última entrada às 17h30
Encerra à segunda-feira, feriados e situações pontuais previamente comunicadas.
Equipamento de interesse cultural não habilitado para mobilidade reduzida
Não necessita de reserva.
Marcação de visitas guiadas:
Tel.: +351 219 238 827
E-mail:
Azinhaga da Sardinha
Volta do Duche - Rio do Porto
2710-631 Sintra
Contactos:
Tel.: +351 219 238 827
E-mail:
MASMO | Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas
O Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas remonta, nas suas origens, a meados do século XVI. Nessa época e por iniciativa de alguns eruditos, entre os quais se terá destacado Francisco d´Ollanda, começou-se a juntar, em torno da ermida local, uma importante coleção de inscrições romanas oriundas dos campos e aldeias circundantes.Secção Arqueológica, que reúne muitos milhares de peças exumadas nas numerosas estações arqueológicas do Termo de Sintra, desde o Paleolítico Médio ao século XVIII, destacando-se, pelo seu especial significado, os núcleos neolíticos, calcolíticos e da época romana.
O acervo do Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas é composto maioritariamente por coleções de arqueologia provenientes, quase na totalidade, das diversas estações arqueológicas existentes no concelho de Sintra.
Remontam ao século XVI as informações mais antigas que indicam a existência de um santuário romano junto à foz do Rio de Colares. São da autoria de Valentim Fernandes, em 1505; e de Francisco d’Ollanda, por volta de 1541. Este autor inclui na sua obra "Da Fábrica que falece à cidade de Lisboa" o desenho das estruturas que então terá conseguido observar e que pertenceriam ao santuário romano.Tais descrições indicam que o sítio terá permanecido visitável durante quase todo o século XVI, altura a partir da qual as estruturas terão pouco a pouco deixado de estar visíveis, contribuindo desta forma para uma certa confusão relativamente à sua localização precisa.
Apesar de tudo, a memória de um santuário romano no litoral sintrense permaneceu, embora se ignorasse agora a sua localização exata. Os vários estudos e trabalhos científicos recentemente desenvolvidos acabariam por apontar para um pequeno outeiro sobranceiro à Praia das Maçãs, onde ainda hoje se conservam os micro-topónimos Alto da Vigia e Alconchel.
Foi precisamente nesse pequeno promontório, na margem esquerda daquela Ribeira, que a equipa do Museu de Odrinhas iniciou uma intervenção em 2008, junto das estruturas de uma torre de facho de época Moderna que ainda se encontravam parcialmente visíveis.A intervenção arqueológica levada a cabo pela equipa do Museu de Odrinhas permitiu já confirmar a existência naquela zona de um santuário romano monumental, bem como a caraterização dos alicerces parcialmente visíveis como pertencentes a uma torre de facho dos inícios do séc. XVI. Foi ainda surpreendentemente identificado um importante conjunto de vestígios de época islâmica, totalmente desconhecidos até então, mas para os quais o topónimo Alconchel (al-concilium) parece apontar.
Os testemunhos arquitetónicos de época islâmica correspondem a umribat ('convento'), tendo sido, até ao momento, identificado um conjunto arquitetónico constituído por várias salas, destacando-se uma delas pela presença de um mirhab orientado para Sudeste, virtualmente no sentido de Meca.
A presença de restos de materiais de utilização quotidiana associados à ocupação islâmica é bastante residual. No entanto, foram recolhidos alguns fragmentos de cerâmica com cronologia do séc. XII, que assinalam provavelmente a fase final de ocupação. De salientar a grande quantidade de conchas, algumas ainda associadas a vestígios de fogueiras, indícios do aproveitamento dos recursos marinhos disponíveis no local.Para além dos edifícios, foi também identificada uma área de necrópole com várias sepulturas, hoje sem qualquer vestígio de espólio arqueológico ou osteológico no interior e que, tudo leva a crer, estarão associadas à fase de ocupação islâmica do sítio.
Na edificação das estruturas do ribat foram utilizados múltiplos elementos arquitetónicos de época romana, onde se incluem algumas inscrições, que testemunham a existência no local de um importante santuário romano, para a existência do qual já apontavam os relatos de Valentim Fernandes e de Francisco d’Ollanda no séc. XVI.
A importância do santuário na época romana está refletida no facto dos votos conhecidos até agora, expressos pela saúde do imperador e eternidade do Império, serem colocados não por devotos particulares, nem sequer pelas elites locais ou provinciais, mas apenas por detentores de altos cargos imperiais, nomeadamente governadores da Lusitânia ou legados do Imperador, embora por vezes através do senado de Olisipo, município em cujo território se localizava este santuário.
Nas escavações foi desde já recuperada uma nova inscrição que atesta a importância do local, sendo dedicada ao Sol e ao Oceano por um Procurador dos Augustos e sua família. Para além daquela ara e de uma inscrição funerária da época de Augusto - ou seja, anterior ao próprio santuário - foram recolhidos outros elementos arquitetónicos romanos com alguma monumentalidade, nomeadamente uma imposta moldurada, fragmentos de coluna, de ara e grandes blocos de construção.As construções de período islâmico encontram-se em muitos casos bastante destruídas devido à remoção de elementos pétreos de grandes dimensões, dos quais muitas vezes apenas subsiste o negativo da forma conservado na argamassa do alicerce onde assentavam, ou apenas as pedras mais pequenas utilizadas como cunhas dentro das valas das fundações. Porém, alguns desses blocos de grandes dimensões ou de melhor qualidade no talhe ainda se conservavam nas paredes. É provável que a remoção daqueles elementos esteja relacionada com a construção da torre de facho nos inícios do séc. XVI, quando as estruturas islâmicas foram parcialmente utilizadas como "pedreira".
Entrada gratuita
Horário:
Terça-feira a sábado: 10h00 às 13h00 e 14h00 às 18h00
Encerra ao domingo e segunda-feira | A Biblioteca encerra durante o mês de agosto
Feriados: 12h00 às 18h00
Encerra nos feriados:
- 01 de janeiro;
- Domingo de Páscoa;
- 01 de maio;
- 24, 25 e 31 de dezembro.
Não necessita de reserva.
Espaço Cultural Acessível e Inclusivo
Marcação de visitas guiadas:
Tel: +351 9238608
E-mail:
Participação em atividades específicas:
Oficinas Educativas ou Visitas Teatralizadas | 4,00€ (sem redução)
Noites do Museu | 3,00€ (sem redução)
Avenida Prof. Dr. D. Fernando de Almeida
São Miguel de Odrinhas - Sintra
2705-739 São João das Lampas
Contactos:
Tel: +351 219 238 608
E-mail:
Acessos:
Estrada Nacional 247 (Sintra-Ericeira), cruzamento para São Miguel de Odrinhas.
Autocarros da Mafrense, percurso Portela de Sintra-Ericeira, saindo na paragem da Barreira.
MHNS | Museu de História Natural de Sintra
O Museu de História Natural de Sintra localiza-se em pleno Centro Histórico da Vila Velha de Sintra, na Rua do Paço, num edifício do século XIX, mais concretamente de 1893. Nele, está patente ao público uma exposição de longa duração, cuja génese deu-se nas mãos do colecionador Miguel Barbosa e de sua mulher, Fernanda Barbosa, os quais, durante cerca de 50 anos, reuniram um acervo único composto por milhares de fósseis de valor cultural e científico incalculável.
Características e Serviços:
- Acesso para deficientes
- Visitas Guiadas
- Loja/Bilheteira
- Vista Panorâmica
- Segurança/Vigilância
O Serviço Educativo tem como ponto de partida a exposição permanente para “contar uma história” que começa com a formação da Terra Primitiva e as mutações que esta sofreu ao longo de milhões de anos no decorrer das diferentes Épocas Geológicas, desde o Pré-Câmbrico ao Quaternário, mostrando toda a evolução da vida através das Coleções Municipais de Paleontologia, Mineralogia, Malacologia e Petrografia oriundas das mais diversificadas partes do mundo.
Este é o quarto Museu de História Natural constituído na Região da Grande Lisboa, sendo, contudo, o mais moderno e o mais universal quanto à proveniência das suas peças, abrangendo estas todos os continentes da Terra.
Destacam-se, de entre os mais de 10.000 fósseis do Museu, uma soberba Coleção de Trilobites e alguns exemplares raros e muito bem conservados de Dinossáurios. Também a grande beleza dos minerais com peças ainda em rocha, e outras isoladas e lapidadas que são uma atração para o visitante, tanto nacional como estrangeiro.
Na Coleção de Malacologia, salientam-se os Bivalves e alguns Gastrópodes, de proveniências diversas.
Por fim, na Coleção de Petrografia, encontram-se representadas, não só as principais rochas do território nacional, como, igualmente, pela sua raridade e importância, as rochas provenientes do Espaço, os denominados meteoritos, com enfoque para o célebre Meteorito de Nantan (China), cujo impacto com a Terra vem já referenciado em documentos do século XVI.
- Acesso para deficientes
- Visitas Guiadas
- Loja/Bilheteira
- Vista Panorâmica
- Segurança/Vigilância
Entrada Gratuita
Horário:
terça-feira a sexta-feira: 10h00 às 18h00
sábado e domingo: 12h00 às 18h00
Última entrada às 17h30
Encerra à segunda-feira, feriados e situações pontuais previamente comunicadas.
Não necessita de reserva.
Espaço Cultural Acessível e Inclusivo
Marcação de visitas guiadas:
Tel.: +351 219 238 563
E-mail:
Rua do Paço, 20
2710-602 Sintra, Portugal
Contactos:
Tel: +351 219 238 563 | +351 219 238 526
E-mail:
MFC | Museu Ferreira de Castro
Por ordem cronológica, é tratado o percurso vivencial do escritor. Neste museu podem ser apreciadas edições raras, manuscritos, objetos pessoais e ilustrações originais para as suas obras, entre outros objetos de e com intíma ligação a Ferreira de Castro.
José Maria Ferreira de Castro nasceu a 24 de Maio de 1898 na aldeia dos Salgueiros, freguesia de Ossela, concelho de Oliveira de Azeméis, filho mais velho de José Eustáquio Ferreira de Castro e de Maria Rosa Soares de Castro.A 7 de Janeiro de 1911, Ferreira de Castro embarcou em Leixões a bordo do vapor "Jerôme", navio "negro e sujo" com destino a Belém do Pará. Nesse dia, contudo, Margarida não estava lá. "Tinha eu, então, 12 anos, 7 meses e 14 dias…", recordará mais tarde, num texto memorialístico.
Em Belém, grassava a crise da borracha. Castro passou pouco tempo em casa de um conterrâneo a quem havia sido recomendado, que – num episódio dickensiano – procurou livrar-se daquele encargo, arranjando-lhe trabalho num seringal inóspito. Viveu assim, entre 1911 e 1914 no seringal ironicamente chamado 'Paraíso', nas margens do rio Madeira, braço do Amazonas.
Embora trabalhasse como caixeiro num armazém, pois era alfabetizado, marcá-lo-ia fortemente a convivência com os seringueiros paraenses e cearenses, vítimas da adversidade do meio e da exploração dos coronéis proprietários das plantações. A par de pequenos textos destinados a jornais, ali redigiu o seu primeiro romance, Criminoso por Ambição, obra juvenil publicado a expensas próprias, já em Belém.
Deixou o seringal em 28 de Outubro de 1914 e, na capital do Pará, passou por enormes dificuldades, colando cartazes, trabalhando como embarcadiço num navio de cabotagem que fazia a carreira do rio Oiapoque, entre Belém e Caena, aproveitando todos os tempos livres para se autoeducar na Biblioteca Pública de Belém, onde tomou contato com as obras clássicas da literatura universal. Ainda em 1916, publicou a peça Alma Lusitana, iniciando-se então um período mais estável, mercê da colaboração periodística, em especial quando fundou, com outro emigrante, o semanário Portugal (1917), que granjeou um acolhimento favorável entre a colónia lusa da cidade. Aí publicou parte do romance Rugas Sociais, nunca editado em livro. Em 1919, resolveu regressar, confiando nas suas capacidades para encetar um novo percurso jornalístico e, principalmente, literário deste lado do Atlântico.
Chegou a Lisboa em Setembro, a bordo do 'Desna', com 400 escudos no bolso e o propósito de trabalhar nas gazetas, sem qualquer recomendação ou conhecimento no meio. Os primeiros anos na capital foram muito difíceis. Trabalhou em vários jornais e revistas, fundou publicações efémeras, como O Luso e A Hora, escreveu, a um ritmo alucinante, crónicas, contos, reportagens, críticas, histórias infantis para inúmeros periódicos, às vezes mais de 100 por mês, "para não morrer de fome" – evocou muito depois.
Em 1921 publicou, em edição de autor, "Mas…" coletânea de ensaios e narrativas em que é patente a procura dum estilo original; porém, todos os livros desta fase, até O Voo nas Trevas (1927), serão por si considerados meras tentativas literárias e eliminadas da sua bibliografia. Enquanto jornalista, apesar de considerar esta atividade como mero recurso, pois o escopo era a literatura, foi paulatinamente firmando o seu nome em publicações de nomeada: A Batalha, ABC, Renovação, O Século, Civilização – revista de grande qualidade gráfica, que dirigiu.
Em 1926 será eleito presidente do Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Lisboa, pouco antes do golpe militar do 28 de Maio, que instituirá o Estado Novo. A sua reação contra a Censura leva ao encerramento do sindicato no ano seguinte.
1928 é o ano de Emigrantes, abrindo novos horizontes à literatura portuguesa. Castro assumiu-se como "biógrafo das personagens que não têm lugar no mundo", e Manuel da Bouça surge-nos como um arquétipo que se dilui na torrente migratória com destino às Américas. A este êxito de público e crítica, sucede o maior de todos: A Selva (1930). Livro poderoso, em que a personagem principal é o "inferno verde", traduzido rapidamente para várias línguas, tornou Ferreira de Castro o escritor português além-fronteiras, nos decénios seguintes.
A morte da sua companheira, Diana de Lis, também escritora, nesse ano, seguida de uma septicemia e uma grave depressão que quase o levou ao suicídio, representaram um dos períodos mais negros da sua vida. Convalescente na Madeira, escreveu o romance Eternidade (1933), grito de revolta contra a fatalidade biológica do homem e, simultaneamente, abordagem à difícil situação social da ilha.
Seguiu-se Terra Fria (1934) distinguido com o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências. Nas terras do Barroso, Castro sentiu-se atraído pelas existências arcaicas daquela gente. Esse ano ficou também marcado pelo abandono de O Século e do jornalismo profissional, constatando ser incapaz de se adaptar aos espartilhos censórios, decidindo-se a regressar apenas quando a liberdade fosse restaurada.
Não obstante, por 2 escassos meses, dirigiu O Diabo, semanário cultural claramente oposicionista, do número 63, de 8 de Setembro de 1935, ao 72, de 10 de Novembro do mesmo ano.
Esta nova etapa da sua vida não conheceu um início auspicioso. A peça que lhe fora pedida por Robles Monteiro para o Teatro Nacional, foi censurada, sendo publicada apenas em 1994; o romance O Intervalo quedou-se na gaveta até 1974; um outro, intitulado Classe Única, não passou dos capítulos iniciais. Castro enveredou, então, pelas narrativas de viagem. Pequenos Mundos e Velhas Civilizações (1937-38) deveu-se à simpatia do escritor pelos "povos minúsculos, pelas repúblicas em miniatura, por todos os que vivem isolados no planeta". Escrito no Estoril, aí conheceu a pintora espanhola Elena Muriel, com quem casou, em Paris, em 1938, e de quem teve uma filha, Elsa, nascida em 1945.
Embora se recusasse a escrever na imprensa portuguesa, abafada pela Censura, colaborou com o diário A Noite, do Rio de Janeiro, ao serviço do qual fez a cobertura da ocupação e anexação pela Alemanha nazi do território dos Sudetas (Checoslováquia), em 1938. No ano seguinte, ao serviço do mesmo jornal e apoiado pela Empresa Nacional de Publicidade, editora que publicaria o livro que resultará da sua viagem planetária: A Volta ao Mundo, publicado entre 1940 e 1944. Recusando "a volta ao mundo colectiva" do superficial cruzeiro de luxo, e rejeitando sujeitar-se às imposições das tabelas das carreiras marítimas, Ferreira de Castro decidira traçar "o mais incómodo e longo itinerário que se pode fazer, mas também o mais fascinante e fecundo […], alternando os centros urbanos, onde rutila a civilização, com os fundões da terra, onde a vida dos homens se encontra ainda selvagem".
Ainda sob os efeitos da pressão censória, Ferreira de Castro escreveu um romance que considerou, injustamente, quase inócuo. Trata-se de A Tempestade (1940), trama urbano em torno do adultério, do preconceito e da condição da mulher. Numa entrevista ao Diário de Lisboa, em 1945, de grande repercussão nos meios literários e políticos, Castro referiu-se ao seu livro nestes termos: "”A Tempestade” dá bem a ideia da influência que a falta de liberdade de expressão exerce na literatura. Quem ler os meus outros romances mal me reconhecerá neste. Tudo quanto constitui a minha personalidade está, ali, forçado, ou melhor, desfigurado".
Acima de tudo escritor, a luta pela expressão foi sempre um dos seus cavalos de batalha: desde o protesto que assinou em 1926 contra a censura, na qualidade de dirigente sindical, até à militância no MUD (Movimento de Unidade Democrática), integrando a sua Comissão de Escritores, Jornalistas e Artistas, e ao apoio à candidatura de Norton de Matos à Presidência da República. Em 1947, publicou A Lã e a Neve, cuja ação se situa entre a comunidade pastoril da serra da Estrela e os meios proletários têxteis da Covilhã – romance que, além de significar a grande explosão ficional após catorze anos de desalento, tornou-o mestre de referência para as gerações mais novas. Com A Curva da Estrada (1950) e A Missão (1954), Castro regressou à escrita de contornos psicologísticos, sem que fossem arredadas as preocupações patentes nos livros anteriores.
Para a edição comemorativa do 25º niversário de A Selva (1955), foi endereçado convite a Cândido Portinari, afim de ilustrar o livro. A admiração do grande pintor brasileiro pela obra do nosso romancista evidencia-se, não apenas pelo seu magnífico trabalho, como pela circunstância de ter suspendido o trabalho que tinha em mãos: os painéis sobre A Guerra e a Paz no edifício da ONU, em Nova Iorque.
A arte sempre exerceu um intenso fascínio em Ferreira de Castro. À caminhada do ser humano, nas suas preocupações estéticas, mentais e vitais consagrou as páginas de As Maravilhas Artísticas do Mundo ou A Prodigiosa Aventura do Homem através da Arte (1959-1963), obra a que dedicou uma década, premiada pela Academia das Belas-Artes de Paris.
Entre 1962 e 1964, presidiu à Sociedade Portuguesa de Escritores, por cuja criação pugnara com Aquilino Ribeiro, este sócio n.º 1, Castro o n.º 2. Após as comemorações do cinquentenário de vida literária, em que avultam edições ilustradas de Emigrantes e Terra Fria, respetivamente por Júlio Pomar e Bernardo Marques, publicou o último romance, O Instinto Supremo, em 1968, simultaneamente em Portugal e no Brasil.
Inspirado pela ação humanista de pacificação dos índios pela missão de Rondon, Castro regressa literariamente à Amazónia que o viu nascer para a literatura, encerrando-se, assim, o ciclo…
Ferreira de Castro foi, durante décadas o escritor português mais traduzido, escritor dum país periférico e isolado, sem influência nem projeção internacional – assim era o Portugal do século XX, que normalmente se destacava pelas más razões: pobreza, estado autoritário e policial, colonialismo. Ser publicado na maior parte das línguas cultas europeias, em grandes editoras como a Macmillan, a Viking, a Grasset, a Aguilar, entre outras, foi um feito assinalável, abrindo caminho para outros escritores portugueses.
Reconhecimento internacional a que faltou o Prémio Nobel de Literatura, ao qual foi proposto em 1951 e em 1968, desta vez na companhia de Jorge Amado. Não obstante, ser-lhe-ia atribuído o Prémio Águia de Ouro de Festival do Livro de Nice, em 1970, por um júri muito relevante, na sua composição de escritores, presidido por Isaac Bashevis Singer, distinção à qual haviam sido proposto nomes de grande significado como Lawrence Durrell ou Konstantin Simonov.
No ano seguinte, Castro teria o Prémio da Latinidade, instituído por André Malraux, na companhia de Jorge Amado e Eugenio Montale. Com o dinheiro destes galardões, Ferreira de Castro fez erigir uma biblioteca, nos Salgueiros, Ossela, sua terra natal.
Falecido em 29 de Junho de 1974, Ferreira de Castro repousa na Serra de Sintra, sob um banco talhado na rocha, numa vereda que conduz ao Castelo dos Mouros.
Tendo escrito aqui parte da sua obra, hospedando-se em especial no Hotel Netto, o escritor sentia-se particularmente bem neste cenário verdejante, tanto mais que a Natureza vegetal é um tópico importante nos seus livros, no seu estilo literário e dir-se-ia que indissociável da sua própria essência de homem e artista. Num texto de 1964, Castro escrevia:
"As paisagens nativas, as suas irmãs minhotas e tantas outras que me têm feito sonhar ao longo do nosso planeta, prendem-me mais profundamente à vida do que as raízes prendem as árvores à terra. Toda a minha existência de homem e de escritor está vinculada a esta paixão. Foi em convívio com a Natureza que os sentimentos de amor se sublimaram sempre em mim, foi em contacto com ela que elaborei a maioria das páginas que tenho escrito. As minhas demoradas estadas nesse pequeno mundo de beleza insigne que é Sintra, com tantas veredas dum intimismo lírico, tantos rincões secretos onde a poesia habita e tanta espiritualidade pairante, como se tudo propiciasse, às horas vespertinas, uma perfeita e voluptuosa fusão dos corpos e das almas, devem-se à irresistível fascinação que em mim exercem as grandes e verdes paisagens."
Ficar para toda a eternidade integrado de corpo e alma na Natureza que lhe inspirara tantas páginas, era uma ideia que acalentara desde cedo. Assim, em 1970, fez o único pedido às autoridades do seu país:
"Desejaria ficar sepultado à beira de uma dessas poéticas veredas que dão acesso ao Castelo dos Mouros sob as velhas árvores românticas que ali residem e tantas vezes contemplei com esta ideia no meu espírito. / Ficar perto dos homens, meus irmãos, e mais próximo da Lua e das estrelas, minhas amigas, tendo em frente a terra verde e o mar a perder de vista – o mar e a terra que tanto amei."
Tendo Ferreira de Castro manifestado o desejo de que os seus restos mortais permanecessem em Sintra – como veio a suceder –, aceitou de bom grado a sugestão de "dois notáveis escritores, sintrense um, outro lisboeta, a quem a biblioteca da vila por nós amada prestava bons serviços para as suas pesquisas culturais", no sentido de que essa doação se fizesse. Trata-se de Francisco Costa, então diretor da Biblioteca Municipal, e Alexandre Cabral, que tinha na Camiliana de Sintra um apreciável acervo bibliográfico e documental para o desenvolvimento da sua investigação.Entrada Gratuita
Horário:
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Encerra à segunda-feira.
Encerra nos feriados:
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- Domingo de Páscoa;
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Museu Ferreira de Castro
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