Agosto traz novas propostas culturais aos Museus Municipais de Sintra, com uma programação diversificada que inclui teatro, exposições, artes decorativas, história natural e etnografia, percorrendo diferentes universos artísticos e patrimoniais.
No MASMO – Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas, o destaque vai para a peça “O Burro de Ouro”, de Apuleio, uma das obras mais emblemáticas da literatura clássica.
No MU.SA – Museu das Artes de Sintra, decorrem várias exposições temporárias, entre as quais “As Obscenas”, “Zona de Passagem” e “Ponto de Inflexão”.
A Casa-Museu Leal da Câmara mantém patente a exposição dedicada ao semanário “A Corja!” e promove uma visita guiada centrada nas artes decorativas.
O Museu de História Natural de Sintra apresenta a exposição “Mordidas do Tempo”, dedicada ao universo dos fósseis e à evolução dos dentes.
Já o MFC – Museu Ferreira de Castro acolhe a exposição etnográfica “A Coleção de Cunha e Costa – Um Portugal que nos Une”, que revisita tradições, ofícios e saberes populares de várias regiões do país.
PROGRAMA
MASMO – Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas
01 a 30.AGO, sáb. e dom., 18h00 | Peça teatral "O Burro de Ouro", de Apuleio, pelo grupo TapaFuros
Escrita pelo autor romano Apuleio (c. 124 d.C. –170 d.C.), provavelmente entre os anos 160 e 170 da nossa era, “O Burro de Ouro” constitui uma das obras mais relevantes da literatura clássica e o único romance latino conservado integralmente.
Adaptada agora a teatro, a narrativa acompanha Lúcio, um homem cuja curiosidade o conduz a uma inesperada transformação em burro. Ao longo do percurso para recuperar a sua condição humana, a personagem enfrenta múltiplas experiências, cruza-se com diferentes figuras e vive um conjunto de episódios marcados pelo humor, pela aventura e pelo inesperado.
Reconhecida pela combinação entre fantasia, comicidade e observação crítica da sociedade do seu tempo, esta reinterpretação dramatúrgica oferece também um testemunho singular do imaginário e da cultura do mundo romano. Entre os seus episódios mais emblemáticos destaca-se a célebre narrativa de Eros e Psique, uma das histórias mais marcantes da tradição clássica.
Mais do que um relato de aventuras, “O Burro de Ouro” permanece como uma obra intemporal, capaz de continuar a dialogar com os públicos contemporâneos através dos seus temas universais e da riqueza do seu património literário.
MU.SA – Museu das Artes de Sintra
Até 30.AGO | Exposição Temporária “As Obscenas”, de Inês Pargana
“As Obscenas” parte da ideia de obsceno como aquilo que permanece fora de cena — o que fazemos quando acreditamos não estar a ser vistos. A exposição reúne gestos automáticos, íntimos, que revelam o quanto somos menos conscientes e mais animais do que gostamos de admitir. Ações mínimas, quase instintivas, que atravessam o quotidiano e que, por pudor, empurramos para a sombra. Ao torná‑las visíveis, é exposta a fragilidade da imagem que construímos de nós próprios e revela a persistência de uma fisicalidade que insiste em escapar à encenação social.
Até 30.AGO | Exposição “Zona de Passagem”, de Susana Moreira
Um espaço em transformação, onde nada é fixo e os estados se atravessam. A exposição constrói-se como um território intermédio entre frio e calor, entre sólido e vapor, entre o visível e o sensível. A imagética não representa a meteorologia, mas propõe uma experiência da atmosfera como presença. O gelo, o ar, a luz e o calor surgem como matérias em mudança, revelando um espaço instável onde o tempo se manifesta. Zona de passagem é um intervalo onde a transformação acontece e o olhar se detém sobre aquilo que está prestes a tornar-se outro.
Até 30.AGO | Exposição Temporária “Ponto de Inflexão – Novos olhares sobre a Coleção J. Eduardo Lima Cascada”
A coleção J. Eduardo Lima Cascada chega à Câmara Municipal de Sintra através de várias doações num ensejo do colecionador em partilhar e garantir o acesso às obras e às suas escolhas.
A exposição Ponto de Inflexão propõe uma revisitação crítica e sensível à Coleção J. Eduardo Lima Cascada levando o público a descobrir novas leituras, estabelecendo paralelos entre as peças expostas revelando, no entanto, a disruptiva dialética entre elas.
Tomando o sentido de um “ponto de inflexão” – ponto em que uma curva muda de sentido – a mostra abrirá caminho para um espaço de questionamento e reinterpretação, onde o olhar curatorial e as obras se encontram para desafiar perceções pré-estabelecidas e, assim, abrir caminhos a novas narrativas visuais.
CMLC – Casa-Museu Leal da Câmara
Até 31.DEZ | Exposição “L. C. e A Corja! Semanário de Caricaturas”
O jornal lisboeta A Corja! (1898), fundado e dirigido por Leal da Câmara, foi um semanário de caricaturas de pendor republicano e anti-monárquico. Publicou apenas 17 números, entre junho e outubro, saindo ao domingo e, mais tarde, também à quinta-feira.
Com quatro páginas — duas delas a cores — e preço de 10 réis, o jornal destacou-se pela sátira política incisiva, tendo como principal alvo D. Carlos I e o seu governo. A crítica estendia-se às instituições da monarquia constitucional, aos políticos e aos detentores de cargos públicos.
Apesar do risco político e judicial, Leal da Câmara manteve uma linha editorial provocadora e corrosiva, abandonando outros projetos para se dedicar a esta publicação.
O semanário abordou ainda temas como a guerra hispano-americana, a censura, a repressão da imprensa e a propaganda republicana, mas manteve sempre como foco central a crítica ao poder político.
A publicação terminou precocemente após decisões judiciais que ameaçavam Leal da Câmara com prisão e deportação, levando-o a fugir para Madrid em outubro de 1898.
Complementar à exposição, será disponibilizada durante o decurso da mesma a atividade educativa ‘A Minha Caricatura para A Corja!‘, em que cada pequeno participante, à semelhança de Leal da Câmara, irá executar, à sua escolha, uma nova proposta de caricatura a inserir neste tão importante jornal lisboeta.
22.AGO, 15h00 | Visita guiada “Leal da Câmara na Cidade das Luzes”
Será explorado as peças concebidas pelo Mestre durante os seus dois exílios na capital francesa (1900-1911; 1913-1915). Recorda-se que foi precisamente em Paris que a obra do nosso artista conheceu a internacionalização, tendo Leal da Câmara, nessa ora, colaborado em muitas dezenas de jornais e revistas, nos quais foi, por anos consecutivos, assíduo e prolífico desenhador / caricaturista.
MHNS – Museu de História Natural de Sintra
Até 03.JAN 27 | Exposição Mordidas do Tempo
A exposição Mordidas do Tempo convida o público a explorar o fascinante mundo dos dentes fósseis e o que eles revelam sobre a vida do passado. Através dos exemplares selecionados de dentes de dinossauros, pterossauros e mamíferos, a mostra revela como a forma, o tamanho e o desgaste dos dentes podem indicar diferentes hábitos alimentares, estratégias de caça e adaptação ao ambiente.
MFC – Museu Ferreira de Castro
Exposição “A Coleção de Cunha e Costa um Portugal que nos Une”
A exposição apresenta uma valiosa coleção etnográfica de várias regiões de Portugal, com peças que refletem tradições, culturas e saberes ancestrais de norte a sul do país.
Organizada em núcleos como “O Pão”, “A Cozinha” e “A Infância”, reúne cerâmica utilitária e decorativa, utensílios tradicionais, brinquedos e instrumentos musicais.
Destacam-se a “Bilha do Segredo”, os Barros Negros, o Pedrado de Nisa e a tradição oleira mafrense, bem como uma importante coleção de figurado em barro de várias regiões, com representações de ofícios e figuras populares.
No conjunto, trata-se de uma viagem pela cultura portuguesa que valoriza a diversidade e o património comum.
