Em junho, os Museus Municipais de Sintra promovem uma programação diversificada para sintrenses e visitantes, que inclui novas exposições, visitas guiadas e atividades dirigidas a diferentes públicos, reforçando a valorização e divulgação do património do concelho.
Ao longo do mês, destacam-se propostas como clubes de leitura, visitas guiadas, espetáculos de marionetas e iniciativas dedicadas ao xadrez, num programa pensado para todas as idades.
No MASMO – Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas, o destaque vai para o espetáculo de marionetas “O Menino do Lapedo” e para o Circuito Xadrez no Museu.
No MU.SA – Museu das Artes de Sintra, a programação inclui atividades criativas e novas exposições temporárias.
A Casa-Museu Leal da Câmara recebe uma visita guiada e mantém patente a exposição dedicada ao semanário A Corja!.
Já o Museu de História Natural de Sintra propõe atividades que cruzam literatura, ciência e arte, além da exposição “Mordidas do Tempo”.
No Museu Ferreira de Castro, o programa passa pelo clube de leitura e por uma conversa dedicada à relação entre Sintra e o escritor.
PROGRAMA
MASMO – Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas
13.JUN, 16h30 | Espetáculo de marionetes “O Menino do Lapedo – Uma história da Pré-história”
Jornadas Europeias de Arqueologia
“O Menino do Lapedo – Uma história da Pré‑história”, inspirado na obra homónima de Mafalda Brito e Rui Pedro Lourenço, é um espetáculo dirigido a famílias com crianças dos 6 aos 12 anos.
Apresentado pelo Grupo Valdevinos, recorre a marionetas de manipulação direta e de varão para dar a conhecer, de forma lúdica e sensorial, o quotidiano de uma criança do Paleolítico Superior. Através desta abordagem envolvente, ganha vida uma das mais importantes descobertas arqueológicas a nível mundial: a “Criança do Lapedo”, um esqueleto com cerca de 29 mil anos, encontrado em 1998 no Vale do Lapedo, em Leiria, e recentemente classificado como Tesouro Nacional.
20.JUN, das 10h00 às 18h00 | Circuito Xadrez no Museu 2026
Organizado pela Academia de Xadrez de Portugal, este evento terá duas vertentes, uma formativa e outra competitiva. No período da manhã, entre as 10h00 e as 13h00, todo o público interessado – inclusive famílias – será convidado a aprender as regras deste jogo estratégico, sendo instalado um jogo de tabuleiro gigante.
Pelas 12h00 será realizada a visita temática «ALEA IACTA EST – A Sorte está lançada» onde o público será convidado a viajar no tempo, com início na época clássica, conhecendo, e até mesmo experimentando, jogos de tabuleiro de pedra, alguns com muitas centenas de anos, muitos deles descobertos em escavações arqueológicas.
No período da tarde, será organizado um torneio aberto a qualquer jogador.
MU.SA – Museu das Artes de Sintra
De 02 e 14. JUN, “Do Caos à Arte: Quantos queres?”
Com base na exposição “Ponto de Inflexão – novos olhares sobre a coleção J. Eduardo Lima Cascada”, esta atividade convida o público a explorar os processos criativos a partir da desordem, do acaso e da experimentação plástica. A atividade é desencadeada por um jogo “quantos-queres”, que propõe escolhas simples que por sua vez despoletam desafios inesperados: desenhar, completar, transformar ou refletir. Cada interação gera um gesto único, onde a intuição orienta o processo de criação. Através da experimentação com diferentes materiais e ideias, os participantes transformam respostas espontâneas em composições visuais, descobrindo como o erro, a dúvida e a mudança podem dar origem a novas formas de expressão.
Destinatários: Público em geral.
De 19.JUN a 30.AGO, Exposição Temporária “As Obscenas”, de Inês Pargana
“As Obscenas” parte da ideia de obsceno como aquilo que permanece fora de cena — o que fazemos quando acreditamos não estar a ser vistos. A exposição reúne gestos automáticos, íntimos, que revelam o quanto somos menos conscientes e mais animais do que gostamos de admitir. Ações mínimas, quase instintivas, que atravessam o quotidiano e que, por pudor, empurramos para a sombra. Ao torná‑las visíveis, é exposta a fragilidade da imagem que construímos de nós próprios e revela a persistência de uma fisicalidade que insiste em escapar à encenação social.
De 19.JUN a 30.AGO | Exposição “Zona de Passagem”, de Susana Moreira
Um espaço em transformação, onde nada é fixo e os estados se atravessam. A exposição constrói-se como um território intermédio entre frio e calor, entre sólido e vapor, entre o visível e o sensível. A imagética não representa a meteorologia, mas propõe uma experiência da atmosfera como presença. O gelo, o ar, a luz e o calor surgem como matérias em mudança, revelando um espaço instável onde o tempo se manifesta. Zona de passagem é um intervalo onde a transformação acontece e o olhar se detém sobre aquilo que está prestes a tornar-se outro.
Até 14.JUN | Exposição Temporária “Ponto de Inflexão – Novos olhares sobre a Coleção J. Eduardo Lima Cascada”, curadoria de Jorge Batista e Elisabete Simões
A constituição de uma Coleção de Arte assenta numa visão pessoal e intimista sobre o ato criativo, refletindo o gosto e os valores do colecionador.
A coleção J. Eduardo Lima Cascada chega à Câmara Municipal de Sintra através de várias doações num ensejo do colecionador em partilhar e garantir o acesso às obras e às suas escolhas.
A exposição Ponto de Inflexão propõe uma revisitação crítica e sensível à Coleção J. Eduardo Lima Cascada levando o público a descobrir novas leituras, estabelecendo paralelos entre as peças expostas revelando, no entanto, a disruptiva dialética entre elas.
Tomando o sentido de um “ponto de inflexão” – ponto em que uma curva muda de sentido – a mostra abrirá caminho para um espaço de questionamento e reinterpretação, onde o olhar curatorial e as obras se encontram para desafiar perceções pré-estabelecidas e, assim, abrir caminhos a novas narrativas visuais.
Destinatários: Público em geral
Galeria Municipal
Até 14.JUN | Exposição Temporária “DOR - Degrees of Resilience, de José van Zeller.
DOR - Degrees of Resilience propõe ao público um encontro com a pintura enquanto lugar de recomposição e de consciência. As obras sugerem que a resiliência não é um heroísmo retórico, mas uma engenharia delicada: um sistema de ‘remendos emocionais’ que atravessa o físico, o mental, o afetivo e o simbólico. No MU.SA – Museu das Artes de Sintra, este corpo de trabalho ganha um contexto particularmente significativo: um museu que se afirma como plataforma de pensamento e de mediação, onde a arte contemporânea se oferece não como ornamento, mas como dispositivo de leitura do humano e de responsabilidade pública. – Isabel d’ Alvarenga.
Destinatários: Público em geral
Sala Polivalente
Até 14.JUN | Exposição Temporária “Febre de Nadya Ismail”
Febre reúne pinturas realizadas entre 2023 e 2026 que procuram seguir o rasto de um fantasma. O termo «fantasma», do grego phántasma, refere-se a uma aparição, a um sonho, a uma imagem oferecida ao espírito por um objeto. Pode designar uma figura ficcional ligada à invisibilidade e à assombração, mas também forças inconscientes que orientam o gesto humano, ou um vazio persistente. Entre imagem e corpo, presença e ausência, a pintura surge como tentativa de dar forma a esses espectros, trabalhando com tinta o corpo da imagem que mais se quer reter – o fantasma.
Destinatários: Público em geral
CMLC – Casa-Museu Leal da Câmara
13.JUN, 15h00 | Visita guiada “A Sala de Estar da Casa-Museu de LC”
Destinatários: Público em geral
Até 31.DEZ | Exposição “L. C. e A Corja! Semanário de Caricaturas”
O jornal lisboeta A Corja! (1898), fundado e dirigido por Leal da Câmara, foi um semanário de caricaturas de pendor republicano e anti-monárquico. Publicou apenas 17 números, entre junho e outubro, saindo ao domingo e, mais tarde, também à quinta-feira.
Com quatro páginas — duas delas a cores — e preço de 10 réis, o jornal destacou-se pela sátira política incisiva, tendo como principal alvo D. Carlos I e o seu governo. A crítica estendia-se às instituições da monarquia constitucional, aos políticos e aos detentores de cargos públicos.
Apesar do risco político e judicial, Leal da Câmara manteve uma linha editorial provocadora e corrosiva, abandonando outros projetos para se dedicar a esta publicação.
O semanário abordou ainda temas como a guerra hispano-americana, a censura, a repressão da imprensa e a propaganda republicana, mas manteve sempre como foco central a crítica ao poder político.
A publicação terminou precocemente após decisões judiciais que ameaçavam Leal da Câmara com prisão e deportação, levando-o a fugir para Madrid em outubro de 1898.
Complementar à exposição, será disponibilizada durante o decurso da mesma a atividade educativa ‘A Minha Caricatura para A Corja!‘, em que cada pequeno participante, à semelhança de Leal da Câmara, irá executar, à sua escolha, uma nova proposta de caricatura a inserir neste tão importante jornal lisboeta.
MHNS – Museu de História Natural de Sintra
27 e 28.JUN, 14h00 às 17h00 | “Há Literatura, Ciência e Arte no Museu”
Cianotipia botânica para crianças. Vamos explorar o mundo da imagem impressa em papel segundo um dos primeiros processos, a cianotipia ou “blueprint”.
Destinatários: Público em geral
Até 03.JAN 26 | Exposição Mordidas do Tempo
A exposição Mordidas do Tempo convida o público a explorar o fascinante mundo dos dentes fósseis e o que eles revelam sobre a vida do passado. Através dos exemplares selecionados de dentes de dinossauros, pterossauros e mamíferos, a mostra revela como a forma, o tamanho e o desgaste dos dentes podem indicar diferentes hábitos alimentares, estratégias de caça e adaptação ao ambiente.
Destinatários: Público em geral.
MFC - Museu Ferreira de Castro
11.JUN, 18h00 | Clube de Leitura “Liberdade ou Evasão”, de António Lobato
Em 1963, na Guiné portuguesa, dois aviões da Força Aérea colidem. Um dos aparelhos despenha-se e o piloto morre. O outro consegue aterrar de emergência, mas o piloto, 2.º sargento miliciano piloto aviador António Lobato é agredido à catanada pela população e capturado pelos guerrilheiros do PAIGC. Conduzido à vizinha República da Guiné-Conakry, aí vive prisioneiro até 22 de novembro de 1970, dia em que é resgatado pelas tropas portuguesas no âmbito da Operação Mar Verde. Neste livro, o autor recorda a sua experiência de guerra e os sete anos e meio que viveu em cativeiro.
Destinatários: Público em geral.
19.JUN, 18h00 | Conversas sobre Ferreira de Castro: “Sintra e Ferreira de Castro”, por Ana Cristina Carvalho
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição (IELT – Nova FCSH)
Destinatários: Público em geral.
MHNS - Museu de História Natural de Sintra
27 e 28.JUN, das 14h00 às 17h00 | “Há Literatura, Ciência e Arte no Museu”
Cianotipia botânica para crianças. Vamos explorar o mundo da imagem impressa em papel segundo um dos primeiros processos, a cianotipia ou “blueprint”.
Destinatários: Público em geral.
